O ESPETÁCULO TAUROMÁTICO CUMPRE OS ATUAIS VALORES DA CIVILIZAÇÃO?

Eliseu Sampaio, diretor do jornal Mais Guimarães

Uma tourada em Coruche, no passado sábado (06 de julho), não acabou da melhor forma para dois forcados, dois cavaleiros e um cavalo colhido por um touro, que teve de ser abatido devido à gravidade dos ferimentos.

Esta questão das touradas, sendo complexa, mas cheia de episódios lamentáveis, não deve deixar de ser alvo de debate na sociedade portuguesa.

Em junho último, a associação ANIMAL entregou, uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos subscrita por mais de 22 mil pessoas a defender o fim dos subsídios públicos à tauromaquia. Uma das principais reclamações dos cidadãos é o facto de “o financiamento ser direcionado para uma atividade que não reúne consenso e que o sofrimento de animais não deve ser financiado por entidades públicas.

Do outro lado, os defensores da tauromaquia contrapõem com o fim de um “património cultural do país”, pelo desemprego que se geraria com o desaparecimento desta atividade, e pela extinção da raça taurina brava.

A questão das touradas, como as conhecemos, está ligada a um hábito que, nos tempos modernos, em que se pretende promover o bem-estar animal, parece estar cada vez mais vazio no conteúdo. No entanto, ainda estamos em tempo da transição, e de olhar para este fenómeno com os olhos que quem pretende ver renovada uma tradição.

Note-se que, desde 1840 que deixámos de matar o touro na arena, bastante antes de se proibir formal e definitivamente os touros de morte, em 1928. É salutar que se atualizem as tradições.

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