O momento em que todos nos tornamos iguais perante a lei

A Revolução Liberal de 1820 e a Constituição de 1822 deram lugar ao primeiro momento em que, na história de Portugal, todos os homens e mulheres do reino passavam a ser iguais perante a lei e isso não é coisa de menos. Se não houvesse outros motivos, este bastaria para não perder esta exposição, visitável de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 12h30 e das 14h30 às 17h30, até setembro.

Paulo Vieira de Castro, o presidente da Sociedade Martins Sarmento, na apresentação, destacou as gravuras que são apresentadas na exposição e que fazem parte do espólio da SMS.As gravuras da época, em que se podem ver os protagonistas dos acontecimentos junto com figuras simbólicas como a Liberdade ou a Constituição são o núcleo central desta mostra que também apresenta livros, folhetos e objectos da colecção etnográfica da Sociedade.

A exposição, como o nome deixa perceber pretende ilustrar os movimentos liberais que se espalharam pela Europa, ao longo do século XVIII e que também chegaram a Portugal. É inevitável relacionar o avanço destas ideias com a expansão do Império francês. A SMS já tinha evocado, anteriormente,  a importância de Napoleão Bonaparte na difusão dos ideais liberais, por ocasião dos 250 anos do seu nascimento, no final de 2019.

Desce-se a escada para a galeria de exposições e logo nos deparamos com uma belíssima peça evocativa  da Tomada da Bastilha, um objeto emprestado à Sociedade para esta exposição. Ao longo da parede, seguem-se inúmeras gravuras, depois de uma citação de Raul Brandão. Lá estão o regresso de o regresso de D. João VI do Brasil, o estabelecimento da Junta, a formulação e aprovação da primeira Constituição, jurada por D. João VI, em 1822.

Numa declaração sobre esta mostra “A Revolução liberal de 1820 – da tomada da Bastiha à Constituição de 1822”, o professor  José Luís Cardoso, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, afirma que se trata de uma exposição oportuna que retrata um momento crucial para o estabelecimento da monarquia constitucional em Portugal, que se inicia com a Revolução Liberal de 1820.

As figuras de Napoleão Beresford e Wellington lá estão, num momento em que Portugal teve que fazer escolhas e em que os portugueses viram a corte partir para o Brasil. Os velhos amigos ingleses foram fundamentais para afastar os franceses, mas eternizavam-se em terras lusas, mandavam no reino. A regência não era capaz de dar resposta aos problemas dos portugueses e começou a clamar-se pelo regresso do rei. É possível contemplar Gomes Freire de Andrade e relembrar os mártires da pátria expoentes simbólicos da revolta contra o domínio inglês.

Relembra-se o sinédrio, constituído em 1818, e a forma como absorveu os bons ventos que vinham de Espanha, com a restauração da constituição de Cadiz. As ideias liberais triunfariam a partir do Porto, a Revolução na cidade invicta dá-se a 24 de Agosto de 1820, e alastrariam ao sul, num momento em que Beresford estava fora do reino. O general inglês tinha ido ao Brasil pedir um reforço de poderes a D. João VI, para suprimir o jacobinismo.

A Revolução, porém, afastava-se dos ideais jacobinos, não pretendia atacar a monarquia nem a igreja. Declarava fidelidade ao rei que deixaria e ser um monarca absoluto para passar a estar debaixo da alçada da lei.

“A Revolução liberal de 1820 – da tomada da Bastilha à Constituição de 1822” é uma exposição importante para conhecer o momento em que pela primeira vez em Portugal as leis deixaram de ser arbitrárias, em que passou a valer o principio da separação de poderes e em que floresceu a ideia de que o poder emanava da nação e não do rei. Neste momento, pela primeira vez em Portugal, todos os cidadãos do reino passavam a ser iguais perante a lei.

©2020 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?