O PSD E O FUTURO

Por Tiago Laranjeiro.

No próximo sábado, o PSD escolherá a sua próxima liderança, num momento decisivo da sua vida. Da vitória-derrota eleitoral de 2015, com a formação da “geringonça” e a captura da bandeira do rigor orçamental pelo PS, o PSD ficou atónico e incapaz de se reinventar. É nesse contexto que enfrenta uma pesadíssima derrota eleitoral nas autárquicas de 2017, e o partido reage. O partido clama por mudança. E escolheu, então, uma clara mudança de rumo. Sob a capa do “interesse nacional”, Rui Rio procurou “recentrar” o partido, alimentando a ideia antiga que as eleições se ganham ao centro.

Em dois anos deste rumo, o PSD teve dois dos seus piores resultados eleitorais, nas europeias e legislativas de 2019. Ainda que se queira comparar a votação expressa com as sondagens, os números, a frio, contam uma história diferente: o PSD perdeu eleitores, qualquer que seja a perspetiva. Perdeu-os para a abstenção, para novos partidos e perdeu-os para o PS. Ficou assim provado – da pior maneira – que o centro político morreu. Morreu em Portugal como morre em quase todo o mundo Ocidental, ao mesmo ritmo que decai a classe média que o compunha.

Os indefetíveis abanam a bandeira do “inimigo interno”, que minava o caminho do líder por dentro do partido e que impossibilitou melhor resultado. Mas esta ideia parte do pressuposto que a oposição a Rio foi pior do que fora a oposição a Passos. Ou, antes, a oposição de Passos a Ferreira Leite. Ou de Ferreira Leite (e Rio) a Menezes. Ou de Menezes a Mendes… E podíamos continuar até Sá Carneiro. Mas a principal falha nesta ideia do “inimigo interno” é mesmo o registo eleitoral incomum de Rui Rio, que não perdeu nenhuma votação dentro do partido desde que foi eleito presidente.

Assim sendo, pode-se esperar de Rio uma mudança que transporte o PSD para favorito à governação do país? Parece-me difícil. A sua proposta assenta precisamente na continuidade. Foi claro nessa visão ainda esta segunda-feira: “nos próximos dois anos será igual, quem não concorda o melhor é não votar em mim”, afirmou a propósito da sua visão estratégica para o país e para o partido.

Mas, nos últimos dois anos, Rio foi perdendo tração entre o país laranja. Eu fui um deles. O entusiasmo inicial esmoreceu, dando progressivamente lugar à desilusão. Um amigo resumia bem este sentimento: “quando te vendem grão-de-bico, conheces o que estás a comprar e sabes o que vais receber; votar em Rio foi como venderem-te caviar e receberes grão-de-bico”. Ou, como alguns mais diretos têm dito, “o banho (de ética) virou banhada”, e passados dois anos não há muito de positivo que distinga a liderança de Rio de outras lideranças passadas. E este rumo levou o partido a um tal estado de anestesia que o universo eleitoral para as eleições de sábado é 20% menor que o número de vimaranenses que votou no PS nas últimas autárquicas.

Neste momento, o PSD precisa de sarar feridas e de conciliar, consigo próprio e com os portugueses. E o melhor serviço que o PSD pode prestar ao país é ser uma oposição forte e apresentar uma visão de futuro diferenciadora para Portugal. A posição do partido em matérias fundamentais como a saúde, a educação ou a Segurança Social não pode ser confundível com a posição do PS, principalmente quando o PS é Governo e tem a faca e o queijo na mão.

Luís Montenegro surge-me, portanto, como a escolha natural. Pragmático, com uma ambiciosa visão para o partido e para o país. Com vontade de criar uma real alternativa ao socialismo que nos governou durante 17 dos últimos 25 anos. Sem dogmatismos ideológicos, mas também sem medo de afirmar diferenças. E com um percurso político feito de combatividade, mas também de uma enorme capacidade de construir pontes e integrar divergências, principalmente nos 6 anos em que liderou a bancada do PSD e concertou posições com o CDS no parlamento.

A decisão de sábado é sobre que futuro queremos para o partido. Eu quero um futuro diferente. Para o partido, mas sobretudo para o meu país. Para isso é preciso mudar.
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