O SAQUE

por TORCATO RIBEIRO 

Dirigente Político do PCP

 

“… Vós que vindes perturbar o nosso bem estar sois quem nos propõe a felicidade… Quereis tornar-nos pobres e desterrados para serdes gloriosos…” Conquista de Lisboa aos Mouros, narração dos Cruzados Osberno e Arnulfo, 1147-Edição CML 1936.

Somos diariamente confrontados com notícias e imagens de sofrimento e dor, quase sempre envolvendo crianças vitimas da guerra na Síria. Estas imagens provocam em cada um de nós uma enorme indignação pela impotência em não sabermos o que fazer para acabar com esta desumanidade que atinge os mais fracos e desprotegidos.

Mas muitas destas imagens são manipuladas e a sua proliferação intensiva pelos média faz parte da estratégia de propaganda montada por quem pretende legitimar a continuação e até o agravamento da agressão à Republica Árabe da Síria, procurando na opinião pública apoio e legitimação para um maior e mais declarado envolvimento na guerra.
Não podemos esquecer que esta agressão, iniciada em2011, teve como protagonistas grupos terroristas, criados, financiados e armados pelos Estados Unidos da América e países europeus aliados, como o Reino Unido e França e do Médio Oriente com destaque para a Arábia Saudita, Turquia e Israel.

Os Estados Unidos e seus aliados são responsáveis pelo desencadear da guerra na Síria, criando e apoiando as diversas ramificações da Al- Qaeda e o auto denominado Estado Islâmico visando o derrube do presidente sírio Bashar al Assad. Não aceitando a derrota dos seus grupos terroristas, os EUA e seus aliados, inventam pretextos, a coberto de mentiras para justificar um agravamento da guerra e o envolvimento directo das suas forças armadas na Síria, violando a soberania, a independência e a integridade territorial deste país, ao arrepio dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.

A imprensa nacional e internacional amplia sem qualquer rigor ou pudor as falsidades proferidas por responsáveis governamentais norte-americanos e europeus, sobre a realidade síria, transformando as vítimas em algozes e os algozes em vítimas e os agressores por agredidos e os agredidos por agressores.
Quem está verdadeiramente incomodado com esta situação, não pode ignorar a existência dos grupos terroristas na Síria, que a nossa imprensa, RTP incluída, alinhada com os interesses dos agressores internacionais, faz passar como inocentes “opositores”, “rebeldes”, ou humanitários “capacetes brancos, acompanhando as imagens com relatos do falsamente “isento” Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organismo sediado em Londres.

Quem está verdadeiramente incomodado com a situação em que vive o povo sírio, só pode exigir o fim do financiamento aos grupos de mercenários e terroristas que o massacram, mantendo populações reféns dos seus criminosos objectivos e estratégia.
Deve exigir também o respeito pelos esforços negociais para uma solução politica para o conflito entretanto criado.

Muito recentemente foi divulgada a existência de armas químicas em posse das forças armadas governamentais sírias. Nada de novo a acrescentar à estratégia montada no passado contra o Iraque e a Líbia, com o desfecho e a destruição que todos conhecemos.

O saque, tal como em 1147, e se não se inverter o actual estado das coisas, será para continuar…

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