O vírus da Cidadania

Por Adelina Paula Pinto, Vice-presidente e vereadora da Câmara Municipal de Guimarães

Chegamos a um novo ponto nesta pandemia que nos tem vindo a transtornar toda a nossa vida nos últimos seis meses! Seja a 2ª fase da pandemia, seja um novo pico, seja o planalto, o que é certo é que os números de infetados estão a crescer em todo o mundo e também em Portugal, nomeadamente em Guimarães.

E hoje também sabemos que a vacina ou um possível medicamente é sempre uma solução que depende de outros, da investigação, das políticas de saúde, dos diversos interesses, do tempo necessário para se encontrar uma solução que não traga novos problemas.

Perante isto só nos resta uma solução, cada um de nós ser um agente de saúde pública! Não vale a pena apontarmos o dedo à Festa do Avante e estarmos no café com os nossos amigos, acusarmos a DGS de incoerência e andarmos sem máscara, criticarmos o encontro de amigos e festas familiares e recebermos toda a gente nas nossas casas!

É no comportamento individual, na responsabilidade que cada um de nós tem de ter que está a solução. O vírus não anda sozinho, precisa de pessoas para o transportar, precisa de proximidade, de toques, de gotículas que saltam! Já imaginaram quando alguém, no futuro, estudar esta pandemia? Como é que nós explicamos aos vindouros que o mundo ficou de pernas para o ar com um vírus que morre com sabão e que só exige três coisas tão simples: lavar bem as mãos, usar máscara e manter o distanciamento social!

E como é possível mantermos hoje uma discussão acesa sobre a disciplina de Educação para a Cidadania nas escolas? Não devia ser ao contrário? Não devíamos estar todos preocupados em reforçar esta área de trabalho das escolas? Não é na educação para a cidadania, no respeito pelos outros, no respeito pela diferença, seja sexual, cultural ou de género, que se encontra a solução para isto?

A ciência teve avanços que não nos passavam pela cabeça. Os leitores da minha geração lembrar-se-ão da nossa incredulidade pela série “Espaço 1999” e como hoje é quase ridícula a nossa boca aberta por aquilo que se antecipava. Da física quântica à astronomia, da inteligência artificial à psicologia, da história às artes o avanço foi inimaginável! Hoje vivemos num admirável mundo novo, um mundo que pula e avança a uma velocidade enorme, um mundo que nos aproxima, qua alterou a nossa noção de tempo e de espaço, um mundo que é um paradoxo!

Mas este novo mundo precisa dum novo Homem, mais atento à sua casa comum (daí as constantes preocupações ambientais), mais atento ao outro, com mais acesso à informação mas que o deve fazer mais crítico, mais participativo, mais capaz de ler o mundo e de o interpretar!

Eu sou uma fã incondicional da ESCOLA e do seu papel nesta mudança. A ESCOLA vai abrir presencialmente porque acima de tudo a ESCOLA é um espaço de relações, um espaço onde aprendemos a conviver, a viver em sociedade, a perceber que há pessoas diferentes, com ideias diferentes, com religiões diferentes, com crenças diferentes. É nesta riqueza de contactos que se fazem homens e mulheres, mais ou menos críticos, mais ou menos respeitadores do outro. E este trabalho precisa continuar a ser feito num tempo de pandemia. Acredito que a ESCOLA nos vai ajudar a estabelecer a cidadania que está em falta e que cada menino ou menina vai ajustar o seu comportamento e nos vai ajudar na sua família, vai ser capaz de exigir comportamentos adequados dos adultos que os rodeiam! Porque a mais pequena das nossas crianças percebe que o seu futuro depende do que estamos a fazer hoje! E só precisamos lavar bem as mãos com sabão, usar máscara e manter distanciamento social!

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