“Oh Guimarães, quem te deu não te vira, se te vira não te dera”

Vivemos apressados, cheios de vontade de conhecer os quatro cantos do mundo. Nessa correria, esquecemo-nos da nossa cidade casa, da que nos viu crescer e todos os dias nos dá chão.

A Mais Guimarães tem procurado desafiar-se e testar os conhecimentos. Também nós queremos conhecer melhor a cidade que nos acolhe. Hoje, convidamos os nossos leitores a embarcarem connosco nesta viagem. Temos descoberto muitas histórias que, embora não sejam novas, são, muitas vezes, desconhecidas. Queremos partilhar todos estas histórias, do imaginário ou não, consigo.

© Joana Meneses

Quem foi Mumadona Dias? 

A fundadora de Guimarães, Condessa de Portugal no século X, foi uma das mulheres mais poderosas no noroeste da Península Ibérica. Falamos de Mumadona Dias, uma mulher muito influente no seu tempo. 

Quando o Conde Hermenegildo Gonçalves, seu marido, morre, em 928, passa a governar o Condado sozinha. Em 950 os domínios são divididos pelos seus filhos e é nesta altura que funda, na herdade de Vimaranes, um mosteiro, onde hoje encontramos a igreja da Nossa Senhora da Oliveira.

© Direitos Reservados

Alguns anos mais tarde, Mumadona Dias determina a construção de um castelo para proteção, revelando que o mandara erguer para proteger o Mosteiro de um ataque de “gentios”.




Lê-se, em Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães, de Torquato Peixoto de Azevedo, “sabendo Muma Dona, que os Gentios não cessavam em perseguir os christãos, e continuamente faziam entradas por Galliza, assolando suas terras; fundou em uma penha forte no alto da villa velha Araduca, entre norte e nascente, um castello para guarda e defensa de seu mosteiro, a que pôz o nome S. Mamede, e lhe ficou servindo de defensa pela parte do norte, e nascente a poente a muralha velha, ficando entre uma e outra um terreno de vinte o cinco passos de largo, e pela parte do sul, de nascente a poente não tem contra muralha, porque lhe fica servindo de defensa a mesma villa Araduca”.

© Joana Meneses

Provável é que D. Henrique e D. Teresa tenham aí vivido, no Paço Condal que existia dentro do Castelo. Talvez tenha sido aí que, em 1111, nasce Afonso Henriques e, logo a seguir, vai a batizar na Capela de S. Miguel.

Até aos dias de hoje, o Castelo sofreu muitas mudanças e alterações. Nos finais do século XI, ainda não tinha torreões nem uma torre de menagem, era um simples pátio rodeado por uma muralha. Com D. Afonso Henriques no comando, o Castelo é ampliado e a muralha é coroada por um adarve, do qual ainda há vestígios. É entre a segunda metade do séc. XIII e inícios do séc. XIV que o Castelo de Guimarães ganha o aspeto que hoje tem.

O Paço dos Duques de Bragança 

D. Afonso, oitavo Conde de Barcelos – mais tarde, primeiro Duque de Bragança -, casa com D. Constança de Noronha, em 1422, altura em que se deve ter iniciado a construção do Paço dos Duques. Viajou muito pela Europa e talvez essas viagens tenham influenciado o modo de ver o mundo e de viver de D. Afonso, tendo também influenciado a forma como edificou o seu Paço em Guimarães. As casas do Duque eram de um lado do Paço e, do outro lado da Capela, ficavam os aposentos da Duquesa. Uma residência sumptuosa para a época. “Um quadrado com quatro torreões”, tal como nos conta Isabel Maria Fernandes, diretora do Paço dos Duques de Bragança. Não havendo certezas se terá, ou não, sido concluída a obra, sabe-se que se manteve como residência até ao século XV.




Com o tempo, começa a degradar-se e é no século XVII que os monges pedem ao rei autorização para tirar pedra do edifício. Os vimaranenses, contudo, e como lhes continua a ser tão caraterístico, unem-se para que isso não aconteça.

© Joana Meneses

Por volta de 1930, faz-se uma campanha para o edifício seja recuperado e, em 1959, finalizadas as obras, o Paço dos Duques abre ao público como museu e residência oficial do Presidente da República. Nada do que decora, atualmente, o Paço dos Duques é do século XV, as coleções são do século XVII e XVIII. “Que ninguém pense que na altura do nosso Duque os espaços estavam decorados assim. Provavelmente, na altura, as paredes seriam todas pintadas com cores muito quentes, haveria tapeçarias, mobiliários, os tetos eram decorados”, frisa Isabel Maria Fernandes.

Diz-se que D. Luís, filho de D. Manuel, vem a Guimarães. É recebido à entrada da cidade, vai ao Largo da Oliveira, entra na Casa da Câmara e vai à varanda. “Uma varanda que só é aberta quando visita a cidade alguém muito importante”, diz a diretora do Paço dos Duques. Nessa vinda a Guimarães, vai ao Paço dos Duques, porque o seu irmão estava casado com D. Isabel de Bragança e, pelo casamento, receberam o ducado de Guimarães. D. Luís observa a paisagem e diz “Oh Guimarães, quem te deu não te viu. Se te vira não te dera”.

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