Onde param os pirilampos?

Por Eliseu Sampaio.

Na noite da passada sexta-feira ligaram-me uns amigos, muito animados, com a brilhante ideia de nos juntarmos na casa de um de nós lá pelas 22h30 e passarmos uma noite na cavaqueira e a beber uns copos, a ver umas séries (imagino também com uns petiscos e umas cartas) e a coisa tinha mesmo tudo para correr bem. A sugestão era ficarmos por lá “naquela tristeza” entre as 23h00 e as 05h00 de domingo, no período em que estava proibida a circulação.

Pela manhã já poderíamos sair e regressar às nossas casas, tranquilamente, para dormirmos até à hora de almoço. O domingo, de novo em recolher obrigatório depois das 13h00, haveria de nos permitir descansarmos de uma noite mais cansativa do que estamos já habituados.

O importante é, tantas vezes, mantermos os horários do recolher obrigatório, nem que estejamos amontoados num qualquer sofá ou numa mesa, tranquilamente com uma dúzia de amigos ou familiares de quem temos saudades. É imperativo que estejamos sobretudo afastados da via pública e longe do olhar dos críticos, daqueles que vivem “obcecados com esta pandemia”, que receiam pela saúde dos seus mais velhos ou pelos mais novos, e pelo impacto que esta crise já teve nos sistemas de saúde, na economia e na sociedade, e cujo mal é reforçado a cada dia que passa.

Longe dos cuidadosos, mas, acima de tudo, dos agentes, desses “pistoleiros e caçadores de multas”, os “pirilampos”, denominação habitual nos grupos onde são notícia as operações STOP que realizam, de fiscalização. Contorná-los é fundamental!

Contornamo-los e sentimos uma alegria tão grande que até já nem nos importamos de encontrar, nem que seja em contramão, o coronavírus. Até havemos de lhe contar a aventura, a peripécia que foi! Fomos os maiores!

Em Guimarães registaram-se, nos 14 dias anteriores a 21 de novembro, mais de 2.300 novos casos de infeções pela Covid-19 por 100 mil habitantes. Uma taxa de incidência que se agravou durante o mês de outubro, em que mais que duplicamos o numero de contágios desde o inicio da pandemia, março de 2020, e que ameaça manter-se alta, colocando-nos entre os concelhos onde a doença encontra melhores condições de propagação. Assim, no topo dos concelhos com maior incidência do país, (já ultrapassamos Vizela e Paços de Ferreira) havemos de continuar com as restrições à nossa liberdade, a ver os nossos empresários lamentarem-se por terem de encerrar as suas empresas, o desemprego a aumentar também e, sobretudo, as respostas dos nossos serviços de saúde a deteriorarem-se. Isto, se o coronavírus não nos apanhar primeiro, e nos encostar à parede. Aí, talvez ganhemos algum juízo, alguns de nós, pelo menos!

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