Oposição considera “esdrúxula” a ideia de um teleférico para a ligação às Taipas

A mobilidade no concelho marcou a reunião de câmara de quinta-feira, dia 29, a última antes do executivo municipal entrar em período de férias. A próxima acontecerá, provavelmente, a 06 de setembro, e será a derradeira antes do ato eleitoral agendado para dia 26.

Foto: DR

Perante o executivo municipal, Álvaro Costa e Anita Pinto apresentaram um estudo intitulado «Análise exploratória para a viabilidade de um sistema de transporte público em via dedicada de Guimarães» com a identificação dos principais problemas e soluções a considerar para a melhoria da mobilidade no concelho.

Foram apresentadas diferentes soluções para as ligações tidas como mais condicionadas, nomeadamente a nacional 105, na ligação a Moreira de Cónegos e Lordelo, a nacional 206, que liga a cidade às vilas de Brito e de Ronfe, e para a nacional 101, de ligação a Ponte e Caldas das Taipas.

Para mitigar os problemas na circulação pela nacional 105, e “não havendo possibilidade de alargamento das faixas de rodagem e grande parte da extensão da via”, foi apontado o reforço do serviço da ferrovia, até porque, o caminho-de-ferro segue paralelo à estrada nacional”.

Anita Pinto referiu que o “serviço atual não presta um bom serviço” e que por isso não é “competitivo com o automóvel”. Um dos problemas apontados é a localização de vários apeadeiros e estações “nas traseiras de unidades fabris”, ou afastadas das áreas habitacionais. Como solução poderá estar a “relocalização de alguns apeadeiros” e a melhoria dos acessos aos mesmos. A arquiteta apresentou também a necessidade do reforço do serviço, dos atuais 16 serviços diários para os 54, com a ligação a Lousado, ficando os serviços ferroviários com uma cadência de 20 minutos, para além dos serviços de longo curso.

Para a nacional 106, que liga a cidade às vilas de Brito e de Ronfe, foi apontada como possibilidade a colocação de um sistema em canal dedicado de BRT, existindo, segundo os técnicos, áreas em que isso é exequível, com exceção no atravessamento do rio Ave e na centralidade de Ronfe.

Esta solução é também apontada para a ligação a Ponte e Caldas das Taipas, embora o atravessamento de Fermentões e Ponte (junto à rotunda para Prazins) sejam pontos difíceis pela “densa edificação” junto à estrada nacional.

Para esta ligação, os técnicos apresentaram também como possibilidade a implantação de um sistema de “teleférico convencional”, a funcionar entre a cidade e o centro da vila termal, podendo continuar, numa perspetiva “mais turística” até à Citânia de Briteiros”.

Um dos problemas apontados para esta última solução é o seu “impacto visual”. No entanto, o transporte por cabo foi também proposto como possibilidade para a mobilidade dentro da cidade entre os eixos da estação ferroviária, Mesão Frio, Universidade do Minho, Hospital e o Multiusos de Guimarães.

No final da reunião, Álvaro Costa interveio para referir que estas soluções ficam, no entanto, “condicionadas” à localização da futura estação da linha de alta velocidade prevista no Plano de Recuperação e Resiliência, e ao Plano Ferroviário Nacional que está a ser elaborado, embora algumas possam ser adotadas independentemente disso.

Foto: Rui Dias/Mais Guimarães

André Coelho Lima: “Um sistema de transportes urbanos tem de ser coerente”

“Não faz sentido que as pessoas de uma determinada zona usem o comboio, de outra zona usem autocarro e de outra zona usem teleférico, que é uma solução como eu qualifiquei até de esdrúxula, para ser simpático”, disse André Coelho Lima. O vereador da coligação JpG, disse que, em 2017 apresentou “uma solução idêntica” à que foi apresentada, mas que era uma solução “integrada, rodoviária mas também de transportes urbanos”, ao contrário da apresentada, que só contempla os transportes urbanos. “Isto foi só uma reflexão, mas a 59 dias das eleições, haveria melhor momento certamente para o fazer”, acrescentou André Coelho Lima.

Foto: Mais Guimarães

Domingos Bragança: “Foi ousado trazer a esta reunião este estudo sobre a mobilidade de futuro”.

Lembrando que “este estudo integra o desenvolvimento do concessão dos transportes públicos urbanos”, o presidente da câmara municipal afirmou que o município está a trabalhar para apresentar projetos ao PRR, porque “quem estiver à frente é que vai ganhar. Quem tiver projetos adiantados, maturados, é que vai ganhar”, disse. “E estamos a trabalhar na introdução do BRT, da condução autónoma, através de mini autocarros elétricos e do BRT tradicional, através das vias dedicadas”, referiu Domingos Bragança.

Quanto à solução de mobilidade “por cabo”, o presidente da câmara municipal, falou em “teleféricos de última geração, que podem entrar no sistema de mobilidade das cidades e que podem ser financiados” pela União Europeia, no âmbito do PRR. “Vemos a possibilidade de ligar por cabo o anel da cidade, mas também a ligação da nacional 101 que passa por Fermentões, Ponte e Taipas”, disse Domingos Bragança, acrescentando já ter feito “diligências para ver se era possível apresentarmos este projeto ano âmbito do PRR e dos fundos comunitários, e o que me foi dito por todas as instituições é que há a possibilidade de o fazermos com carater inovador”; terminou.

Foto: Mais Guimarães

Bruno Fernandes: “Não é a dois meses das eleições que se fazem reflexões sobre a mobilidade em Guimarães”.

Sobre o mesmo assunto, Bruno Fernandes, vereador e também candidato da coligação JpG, referiu que “estudo que foi aqui apresentado é a prova cabal de que durante as últimas décadas Guimarães não quis saber da sua mobilidade”. Que o estudo revela que a câmara municipal “não quis saber desta temática, nem dos transportes públicos, nem das acessibilidades”.

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