Oposição pede explicações e Câmara defende investimento no Festival MIMO:
O investimento municipal de 600 mil euros no Festival MIMO esteve em destaque na reunião do Executivo Municipal de Guimarães, realizada esta segunda-feira, com a vereadora socialista Gabriela Nunes a levantar questões sobre os custos, a sazonalidade do evento e o equilíbrio do apoio municipal entre iniciativas internacionais e projetos culturais locais.

© Mimo Festival
O Festival MIMO vai decorrer em Guimarães entre 27 de junho e 5 de julho, com programação distribuída por vários espaços emblemáticos do centro histórico, incluindo o Campo de São Mamede, onde ficará instalado o palco principal. O evento cruza música, cinema, património e cultura urbana e deverá atrair cerca de 74 mil participantes ao longo de nove dias, segundo a organização.
Durante o período antes da ordem do dia, Gabriela Nunes começou por manifestar o apoio do Partido Socialista à realização do festival em Guimarães, sublinhando a importância da cultura na identidade do concelho. “Guimarães tem sido e é conhecida como uma referência cultural e o Partido Socialista está alinhado com todo o tipo de eventos e iniciativas culturais que deem projeção à cidade”, afirmou.
Ainda assim, a vereadora questionou os compromissos financeiros assumidos pelo Município e a ausência de informação detalhada relativamente aos custos globais e às entidades parceiras envolvidas no evento. “Há aqui um conjunto de informação que ainda não é conhecido”, referiu.
Gabriela Nunes levantou também dúvidas quanto ao calendário escolhido para o festival, considerando que a realização do evento nos finais de junho e início de julho poderá agravar a pressão turística numa altura em que a hotelaria já apresenta níveis elevados de ocupação. A socialista defendeu uma distribuição mais equilibrada dos grandes eventos culturais ao longo do ano, como forma de combater a sazonalidade turística.
Outra das preocupações expressas pela vereadora prendeu-se com o equilíbrio entre o apoio dado a grandes eventos internacionais e o investimento em projetos culturais criados no território. Gabriela Nunes destacou iniciativas como o Rock in Rio Febras como exemplos de eventos que cresceram com forte envolvimento da comunidade local e se afirmaram nacionalmente através da identidade vimaranense.
“Tem de existir equilíbrio e valorização daquilo que é criado pelos viimaraneses e projetado pelos vimaraneses, feito com enorme paixão e qualidade”, defendeu.
Na resposta, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, garantiu que o investimento no Festival MIMO “não invalida a aposta na promoção e valorização daquilo que é produzido e criado no território concelhio”.
Como exemplo, destacou o programa IMPACTA, cujo investimento municipal deverá atingir este ano cerca de 400 mil euros apenas no primeiro semestre, valor semelhante ao montante investido durante todo o ano de 2025.
Isabel Ferreira sublinhou ainda que a programação do MIMO contará também com a participação de artistas e coletividades locais, reforçando o envolvimento de agentes culturais do concelho.
O presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, confirmou que o Festival MIMO representa um investimento municipal de 600 mil euros, acrescentando que a autarquia espera assegurar cerca de 50% desse montante através de uma candidatura ao Turismo de Portugal.
O autarca sublinhou que o objetivo do Município passa por “acelerar a projeção de Guimarães com uma marca cultural muito forte”, através da aposta em eventos de grande dimensão capazes de atrair diferentes públicos e reforçar a visibilidade internacional da cidade.
“O Festival MIMO já tem uma longa tradição e uma forte presença internacional e enquadra-se no objetivo de fazer de Guimarães uma cidade de grande palco de eventos internacionais”, afirmou.
Ricardo Araújo destacou ainda o potencial impacto económico do festival, sobretudo nos setores da hotelaria, restauração e comércio local. Segundo dados avançados pela organização, o evento poderá gerar entre 18 mil e 40 mil dormidas, com um impacto económico direto estimado entre 6 e 10 milhões de euros.
O presidente da autarquia realçou também o caráter gratuito e inclusivo do festival, bem como a sua ligação ao património histórico da cidade. “É um evento gratuito, inclusivo, que decorre em espaço público aberto e enquadra-se perfeitamente com a nossa cidade”, referiu, admitindo que a continuidade do MIMO poderá ser equacionada caso a edição deste ano corresponda às expectativas.





