OS ANOS PASSAM, A TRADIÇÃO MANTÉM-SE: QUE COMECE A APANHA DA UVA!

Chega o final de setembro e, com ele, as já tradicionais vindimas que vão acontecendo um pouco por todo o concelho de Guimarães. São Clemente não é exceção: uma pequena quinta familiar começa a trabalhar na apanha das uvas.

@Diogo Bastos/ Mais Guimarães

Quem está à frente da quinta é o Sr. Avelino, mas na verdade “quem manda” é a sua esposa, a dona Fernanda. Acompanhada por alguns familiares, são eles que vão ajudando a recolher os cachos espalhados pela Quinta da Torre, num dia algo acinzentado no concelho de Guimarães. Maria Fernanda, de 65 anos, trabalha na quinta praticamente desde que nasceu. “Esta quinta pertencia aos meus tios, que me criaram desde os dois anos. A minha mãe faleceu quando eu tinha um ano e meio apenas”, recorda. A “patroa” diz que, antigamente, na quinta havia gado. “Só que o gado não compensava e achamos melhor a vinha, que é o nosso ganha-pão”, explica. Antigamente, em vez de vinhas relativamente baixas e fáceis de vindimar, existiam árvores, onde por vezes a única maneira era subir com o auxílio de um escadote.

O Verão “frio” que dificultou o crescimento da quinta

Na quinta, são três as especialidades de uvas: trajadura, loureiro e arinto. Na altura da apanha, as castas não são divididas, vai tudo junto para a adega cooperativa. “No ano passado houve mais e com maior qualidade, este ano nem por isso”, lamenta a dona Fernanda. Uma situação que dificultou o bom crescimento das uvas este ano foi o aparecimento de um pó branco que se dá pelo nome de oídio, um fungo que afeta a raiz da planta onde as uvas crescem e que deixa a fruta estalada e seca. Para além disso, o verão algo atípico que se fez sentir no concelho de Guimarães, com noites mais frescas, foi um dos entraves para se conseguir uma colheita mais desejada. “As noites quentes são boas para as colheitas, mas infelizmente este ano isso não aconteceu muito. Mas pronto, temos de aproveitar o que temos”, diz com um sorriso na cara.

A boa disposição que reina no seio da familia

O melhor da tarde ainda estava para chegar. Com uma simpatia contagiante, lá vem o cunhado de dona Fernanda, com um carrinho de mão contendo garrafas de vinho, praticamente sem gás, como se fosse o néctar sagrado das simpáticas pessoas que participam na apanha das uvas. “É o carrinho do INEM”, diz um dos familiares em jeito de brincadeira. “Só faz mal o último copo, o primeiro é o melhor!”, refere um familiar que, de seguida, amavelmente oferece um copo à equipa do Mais Guimarães.
Um dos lamentos que Maria Fernanda tem é o facto de as filhas não estarem muito interessadas em tomar posse das vindimas “Eu só tenho raparigas e elas não querem muito isto.” Mas é com vontade e gosto que esta família vai mantendo a tradição das vindimas na Quinta da Torre, ano após ano.
Em 2019, assistiu-se a um ano muito bom no que diz respeito às vindimas, com o nível de exportações a bater números recorde no concelho de Guimarães. Na Quinta da Torre, isso não fugiu à regra. “No ano passado passamos aqui três semanas sempre a dar no duro. Por um lado deu muito trabalho, mas por outro ficamos muito contentes, porque nunca tínhamos tido tanta apanha da uva aqui na quinta. Que todos os anos fossem assim”, diz, com um sorriso de orelha a orelha, a patroa da quinta.

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