Os descartáveis

por TORCATO RIBEIRO 

A Vitrus é uma empresa municipal criada em 2010, tendo como objectivo principal a gestão dos resíduos sólidos no concelho de Guimarães. Com o tempo, e ultrapassadas as dificuldades iniciais, tendo em conta a capacidade no desempenho das funções que lhe foram inicialmente atribuídas, o executivo municipal passou a depositar nesta empresa outras tarefas. E foi com naturalidade que passou a ser da sua competência a limpeza dos espaços públicos, a fiscalização dos parcómetros e a gestão dos parques de estacionamento propriedade do município. Aumentou o número de trabalhadores e aumentou e renovou a frota e as ferramentas de serviço, a sua maioria adquirida com tecnologia de acordo com as preocupações ambientais. A par criou uma imagem de marca e qualidade compatíveis com o espaço urbano vimaranense. Nesta primeira fase, para além da qualidade dos seus trabalhadores contou com dois elementos preponderantes: Amadeu Portilha, vereador e responsável pelo pelouro, e Daniel Pinto, funcionário da Tempo Livre, destacado para desempenhar a função de administrador executivo.

Nas eleições de 2017 Amadeu Portilha não se recandidatou e o representante do município na Assembleia Geral, Vitor Oliveira, Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Domingos Bragança, indicou para presidente do Conselho de Administração, cargo não executivo, Sérgio Castro Rocha Presidente da Junta de Freguesia de Ponte. Alguns, mal -intencionados, argumentaram na altura que este cargo seria o prémio pelo facto de Sérgio Castro Rocha ter mudado de cor partidária porque foi eleito no primeiro mandato pela coligação Juntos por Guimarães (PSD,CDS), e no segundo concorreu pelo Partido Socialista. O certo é que quando tomou posse achou por bem tornar publico, para acabar com a especulação, que assumia este cargo mas não beneficiaria de qualquer remuneração.

Com a entrada destes novos protagonistas, entrou em marcha o processo cuja máxima nos diz que se algo vai correr mal, vai ter mesmo de correr mal. E assim foi. Na reunião de Câmara no dia 18 de Junho foi aprovada uma proposta sobre a minuta do contrato de gestor público do novo director executivo da Vitrus, João Pedro Castro, quadro da empresa, em substituição de Daniel Pinto, que se demitiu após oito anos de serviço, regressando à Tempo Livre.

Questionado sobre o assunto, o Presidente da Câmara sacode responsabilidades e diz que a culpa é dos estatutos que permitem um executivo com poderes iguais ao presidente não executivo e que seria necessária a sua alteração para que o Presidente do Conselho de Administração possa ser executivo e, mais importante, o rosto da empresa. Esta declaração explica em parte o porquê da carta de renúncia de Daniel Pinto ter ficado sem resposta até agora: desde 2017 era clara a intenção de retirar protagonismo ao então administrador executivo da Vitrus, desvalorizando a sua experiência e as suas competências.

A moral desta história não é grande coisa porque as palavras solidariedade e gratidão têm andado ausentes do vocabulário de quem lidera esta equipa municipal. Quanto aos actuais protagonistas, presentes e futuros, quando necessitarem de apoio de quem de direito, fica o aviso: nessa altura serão tratados com a mesma indiferença dispensada aos descartáveis.

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?