Parlamento assinala morte de Wladimir Brito com voto de pesar

A Assembleia da República aprovou um voto de pesar pelo falecimento de Wladimir Augusto Correia Brito, que morreu no passado dia 8 de abril, em Guimarães, aos 77 anos.

© Parlamento

 

Nascido em 1948, na Guiné-Bissau, filho de pais cabo-verdianos, Wladimir Brito cresceu em Mindelo e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se destacou pela sua participação ativa na luta estudantil contra a ditadura, tendo sido expulso em 1973. Posteriormente mobilizado para o serviço militar, integrou as forças que participaram na Revolução de 25 de Abril de 1974, tendo tomado o quartel da Figueira da Foz.

Após a independência da Guiné-Bissau, regressou ao país, onde exerceu advocacia e funções judiciais, mantendo sempre uma ligação próxima aos processos de construção democrática. Em Cabo Verde, teve um papel determinante na consolidação do regime democrático, tendo participado na fundação do Movimento para a Democracia e sido o principal redator da Constituição de 1992.

Pelo seu contributo, foi distinguido pelo Estado cabo-verdiano com a Medalha de Mérito de Primeira Classe e com o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria.

Em Portugal, destacou-se como professor catedrático da Universidade do Minho, tendo sido também cofundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de conciliadores das Nações Unidas por designação do Estado português e diretor da revista Scientia Ivridica.

Residente em Guimarães, onde exerceu advocacia, teve ainda uma participação ativa na vida cívica e política local. Foi deputado municipal eleito pela APU nas listas do PCP, chegando a líder de bancada, e candidatou-se à presidência da Câmara Municipal em 2017, como independente, nas listas do Bloco de Esquerda.

No voto aprovado em plenário, a Assembleia da República manifestou “profundo pesar” pela morte de Wladimir Brito, apresentando condolências à família e amigos, e destacando o seu percurso académico, político e cívico, marcado pelo compromisso com a liberdade, a democracia e os direitos humanos.

O voto de pesar foi subscrito por Paulo Lopes Silva, deputado vimaranense eleito pelo Partido Socialistam conjuntamente com outros deputados do distrito, da primeira comissão, e teve primeiro subscritor o deputado único do BE, Fabian Figueiredo.

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