Quem vê caras, não vê corações

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

Os vimaranenses habituaram-se, ao longo dos séculos, a olhar a montanha da Penha como fonte de inspiração, como farol espiritual ou religioso. Mais recentemente, como exemplo ambiental e espaço de lazer. Novos e velhos juntam-se regularmente em momentos de alegria, confraternização e bálsamo para os dias de correria.

A montanha que é ainda mais bela quando a olhamos de baixo, quando levantamos o olhar da cidade ao topo, especialmente pela presença majestosa da Pousada Mosteiro de Santa Marinha da Costa e da sua belíssima Igreja.

A Pousada, que foi recuperada há uns anos, e entregue à exploração de um conhecido grupo hoteleiro nacional, e a dias de reabrir à atividade, apresenta-se impecável. O mesmo não podemos dizer da sua Igreja. Por fora belíssima, aparentemente feliz, quando por dentro clama por um iminente socorro.

É urgente, urgentíssima uma intervenção nos telhados da Igreja Mosteiro da Costa, sob pena de perdermos, já no próximo inverno, um património de valor incalculável. No interior da Igreja, como pude observar numa demorada visita na passada semana, plásticos e bacias procuram reter a água que cai dos tetos ou escorre pelas paredes.

Aquele edifício é património do Estado, pelo que a paróquia, a fábrica da Igreja, ou mesmo a comunidade, estão impedidos de ali realizar qualquer intervenção. Resta-lhes sofrer quando chove, de terço na mão. O Estado, que no princípio (e também no fim) somos todos, tem o dever de cuidar do património que herda.

Muitas foram as promessas feitas, que entretanto se esvaziaram com o tempo, para a resolução deste problema. Um problema que se acentuou, agonizou, e que, em breve, mantendo-se esta postura, se transformará numa real desgraça.

Não há tempo a perder para a proteção deste património, deste pedaço da nossa história.

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