RC21 – Fora de Jogo!

por Carlos Guimarães
Médico urologista

Quem escolhe pessoas tem a obrigação de escolher bem, os melhores, os que mais se adequam à estrutura funcional da organização, aqueles que podem inovar, os que têm capacidade de desenvolver projetos reais, os que melhor se adequam à sociedade contemporânea e parecem ver mais adiante. A estratégia das escolhas deve ser clara, lúcida, planeada, mas muitas vezes é um pouco obscura e de resultado surpreendente. As escolhas estão obrigadas a rejeições, o contentamento de uns é a desilusão de outros. Quando as escolhas procuram servir o interesse público coletivo devem ser pensadas na vantagem da comunidade e não devem servir interesses pessoais. Todos sabemos que as coisas não acontecem desta forma, vivemos sob uma espécie de praga disseminada ao longo de décadas de democracia e que não foi importada da China, é um vírus nosso, bem nosso e que se tem replicado à velocidade do tal que anda por aí mas há muito mais tempo. Estas palavras demitem-se de qualquer carácter ofensivo, refletem apenas o juízo próprio do pequeno mundo que gravita à minha volta, que me toca de raspão e por isso não me é indiferente.

Alguém decidiu, está decidido. Há um contentamento descontente, esqueletos que se movem, cinzas que voam, imagens que se pretendem apagar. Observamos estupefação e quanto maior a estupefação, maior a indignação. Muitos optaram pelo silêncio não inocente, outros por manifestações públicas de revolta. A indignação anda no ar, e como diz o diácono Remédios “não havia necessidade”. Abriu-se um capítulo de indignação para o próximo ato eleitoral na autarquia vimaranense. É o que se pode ver escrito nas paredes digitais, graffitis mal-humorados, revoltados, pintados a preto e branco. Por aí se vê que as pessoas gostam de Ricardo Costa, reconhecem-lhe competências singulares, contavam com ele e ficaram decepcionadas com as escolhas. Criticam o conteúdo, a forma e o timing. A onda triste estende-se desde o cidadão vulgar onde me encontro, passando por atores políticos e atingindo em larga escala a teia empresarial vimaranense. Os empresários não gostaram do episódio, manifestaram repúdio pelas decisões tomadas nos circuitos pessoais e nenhum manifestou publicamente a seu descontentamento. Eles sabem bem o porquê das coisas.

Algumas toalhas foram arremessadas ao chão (não acredito que fiquem por lá).

No meio deste maremoto, Ricardo Costa mostra-se igual a si próprio. Não se lhe conhecem palavras públicas de indignação, nem flechas na direção de ninguém. Ele conhece bem o seu lugar na forma de ser e de estar na política, no país e no mundo. Tenho a certeza que se sente vivo e bem vivo e que o dia de hoje é apenas um passo no caminho. Ele sabe, todos sabemos que por vezes aquilo que parece um passo atrás é um salto para diante.

Prognósticos só no final do jogo. O jogo segue dentro de instantes.

Vemo-nos por aí.

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