RECORDANDO HÉLDER ROCHA NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

por ANTÓNIO ROCHA E COSTA
Analista clínico

Tive o privilégio de conhecer e de privar com o Engenheiro Hélder Rocha em diversas situações e dele guardo para sempre as melhores recordações.

Corriam os anos sessenta do século passado, era eu um jovem nicolino, quando me cruzei pela primeira vez com o Velho Nicolino, figura de referência para as novas gerações, que contava já no seu curriculum com a récita de dois pregões, para além da participação assídua nos principais números das festas maiores da Academia Vimaranense. Posteriormente, viria a ser nomeado Nicolino-Mor pela Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães, nem gesto de reconhecimento pela sua entrega generosa e entusiástica à causa nicolina.

Mais tarde, sendo eu um dos mais novos elementos da chamada tertúlia da Pastelaria Ribela, na qual participavam conhecidas figuras da sociedade vimaranense, partilhei com os frequentadores desse grupo, entre os quais se incluía o Engenheiro Hélder Rocha, momentos inesquecíveis e ainda hoje me sinto grato por tudo quanto aprendi.

Mas foi sobretudo no Jornal “O Povo de Guimarães”, já nas décadas de oitenta e noventa, que convivi mais de perto com o “Senhor Engenheiro”, que era como a gente mais nova lhe chamava.

De trato fácil e mente aberta, conseguia conquistar a simpatia e a admiração das gerações mais novas, nas quais eu me incluía, que o tratavam como um de entre eles.

Importa no entanto salientar que, por detrás da simplicidade e da postura despretensiosa que eram a sua imagem de marca, escondia-se uma das figuras mais marcantes da sociedade vimaranense do século XX.

Hélder Rocha foi uma personalidade transversal que deixou gratas recordações por todas as instituições por onde passou e não foram poucas.

Os seus campos de intervenção foram os mais diversos: Enquanto dirigente desportivo foi Presidente do Vitória Sport Clube e posteriormente membro da direcção e Presidente Honorário, tendo sido ainda membro da Federação Portuguesa de Futebol, o que lhe valeu a atribuição da Medalha de Ouro ao Mérito.

Democrata e republicano convicto, muito contribuiu para o debate político, sobretudo como membro da Assembleia Municipal de Guimarães, onde foi deputado pelo Partido Socialista.

A sua actividade cívica mais importante, na minha opinião, desenvolveu-se no meio jornalístico quer como colaborador assíduo do Jornal Notícias de Guimarães, antes da Revolução, quer como sócio fundador e dirigente da Cooperativa Editorial “O Povo de Guimarães” e ainda como colaborador do Jornal com o mesmo nome.

Na vertente lúdica, destaca-se a sua participação em várias tertúlias, mas sobretudo a sua dedicação de alma e coração às Festas Nicolinas, ele que foi um frequentador da loja da senhora Aninhas, madrinha dos estudantes.

Admirável era a sua resistência física: já na casa dos oitenta, ainda acompanhava, uma vez por outra, a tribo jornalística mais jovem que não hesitava em desencaminhá-lo para uma boa conversa, regada por um copo a preceito, numa das capelas mais tardias da cidade.

Hélder Rocha partiu em 2005, à beira de fazer noventa anos, mas continua a cruzar-se connosco, em cada esquina da cidade, principalmente na noite do Pinheiro. Pessoas assim, como o Engenheiro Hélder Rocha, nunca nos deixarão.

 

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