Recordar… o Vitória #18

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A época anterior houvera sido sublime!
A melhor de sempre, até então!

Estávamos em 1968/69 e os adeptos vitorianos sonharam alto, muito alto mesmo! O título durante quase todo o campeonato foi uma forte probabilidade para os Conquistadores orientados pelo brasileiro Jorge Vieira. Nomes como o guarda-redes Rodrigues, Costeado, Manuel Pinto, Gualter, Joaquim Jorge, Peres, Zezinho, Carlos Manuel, Mendes “o Pé Canhão” e mais alguns colocaram a cidade onde nasceu Portugal a sonhar bater o pé a Benfica e a Sporting, na altura os detentores do duopólio dos títulos na Liga Portuguesa.

Os Conquistadores não o haveriam de conseguir, devido a dois desaires indesejados na recta final da prova: uma derrota em Belém, perante uma equipa do Restelo longe do fulgor de outras temporadas e um empate em Setúbal que, em outras situações, seria um resultado positivo, pois os nossos homónimos classificaram-se num quarto posto, logo atrás dos homens que trazem D. Afonso Henriques no peito.

Porém, soube a pouco… aquela vitória por duas bolas a zero, poucas semanas antes, frente ao Benfica de Eusébio com um bis em quatro minutos de Peres, parecia indiciar que o sonho poderia ser realidade. Porém, não o seria, ainda que aquela temporada entrasse na história. Tão histórica que, pela primeira vez, o Vitória conseguiu o apuramento para as competições europeias, que na altura foi a já extinta Taça das Cidades com Feira.

O sorteio, esse, gerou expectactiva. O Vitória, na sua primeira aventura europeia, iria ter de viajar à, então, Checoslováquia, para encontrar o Banik Ostrava, uma das melhores equipas desse país europeu por aqueles anos.

A primeira mão daquela bela aventura ficou marcada para casa do Vitória. Não dizemos Guimarães, pois por imperativos de receita e pelo facto do estádio do nosso clube não possuir iluminação artificial cogitou-se disputar o jogo no Porto. Felizmente, tal ideia não iria em frente e naquele dia 10 de Setembro de 1969 fez-se história: pela primeira vez, o maior embaixador da cidade, já orientado por Fernando Caiado, pois Vieira partira rumo ao Sport Recife, como diz a música de Dino Freitas “saiu do berço português, tinha a Europa à sua espera.” Refira-se que o então jovem Jorge Vieira voltaria a Guimarães na temporada de 1970/71, mas, como em tantas outras ocasiões ocorridas com o Vitória, seria um regresso infeliz… mas isso serão contas de outro rosário e que em nada se coadunam com os momentos de felicidade aqui relatados.

Assim, pelas 17h45 daquele dia de ocaso de Verão, perante 7000 espectadores, os Branquinhos, a jogar de preto, foram sublimes. Subjugaram por completo os checoslovacos. Aliás, o golo de Carlos Manuel, obtido logo aos 10 minutos da partida, o primeiro da história Conquistadora na alta roda do futebol europeu e único da contenda, não fez justiça à superioridade esmagadora de uma equipa que se temia que se atemorizasse pela novidade da experiência.

Nada disso… viveu-se uma tarde de inesquecível glória no, então, estádio Municipal e, apesar da vantagem mínima, os sonhos de prosseguir na Europa estavam bem vivos!

Passadas 3 semanas, a 02 de Outubro, o presente que todos os vitorianos desejavam! Uma sublime exibição do guardião Roldão foi retardando os intentos da equipa casa. Porém, quando Guzik aos 73 minutos abriu o activo, temeu-se o pior… além da inevitável quebra física, temia-se a derrocada anímica de uma equipa que tanto lutara, tanto fizera das fraquezas forças! Nada mais errado… o espírito conquistador vivia naqueles 11 homens! E, quando sete minutos depois, Artur da Rocha conseguiu chegar ao último reduto dos homens de Ostrava e bater Schmucker, a festa eclodiu em terras d’El Rei Afonso! O Vitória estava na segunda eliminatória da Taça das Cidades com Feira, onde haveria de marcar encontro com o Southampton. Aí, uma inolvidável exibição em Guimarães, em que o empate a 3 não fez justiça aos branquinhos, faria esquecer a noite infeliz no mítico The Dell, onde um autogolo de Costeado abriu as portas para uma goleada por cinco bolas a uma, de pouco valendo o tento de Ademir. Ainda assim, para primeira vez não estava mal e o Vitória haveria de tomar o gosto por levar o Rei a inúmeras paragens do Velho Continente.

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