Recordar… o Vitória #26

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Na história do Vitória, que é quase centenária, foram inúmeros os atletas que envergaram a Branquinha.

Todos contratados com a esperança de levarem o Rei ao pedestal, mas nem todos capazes de fazer respeitar os pergaminhos que se esperavam deles.
Comecemos pelas redes, que, também, foram de nomes como Jesus, Nuno, Neno ou Pedro Espinha.

Quem poderá esquecer os calafrios causados pela dupla de guardiões que mais palpitações causou aos vitorianos? Os nomes de Cândido e de Vítor Nuno, a defenderem as redes vitorianas, durante a temporada de 2000/01 terão ficado na memória de todos aqueles que se dirigiam ao D. Afonso Henriques. Mas, também, poderemos citar o do francês Chauray, que partiu como chegou, ou seja, sem jogar.

Viajemos até à defesa dos homens do Rei.

Que dizer do paraguaio David Mendieta, o homem que dizia marcar livres melhor que Roberto Carlos? Nunca assistimos a tal feito, pois jamais jogaria. Ou, Milhazes a voar pela ala sinistra? No centro, nomes como Thiago Alencar, Leandro Silva, os dois Kanu, ou, o próprio, Leandro Freire, que prometeram bem mais do que conseguiriam fazer. Finalizemos do lado direito com Tony, que nunca demonstrou os talentos exibidos em outras paragens. Mas, além deste, Nii Plange, que Rui Vitória julgou descortinar nele um lateral de eleição, já que não possuía lugar para ele a extremo, sua posição original. Mas, não poderemos deixar de fazer uma menção honrosa a nomes como os de Radanovic (aquele famigerado jogo no Bessa…), José Obama, Alvin Arrondel, os tunisinos Khalil Chemann, Sarahoui, os brasileiros Breno, Jubal e Suélliton, entre mais alguns.

Passemos ao meio campo, espaço do terreno onde passaram atletas de inúmeras nacionalidades pelo Vitória. Jogadores aos quais se antevia um futuro promissor, mas que, por uma razão ou por outra, não conseguiram comprovar o que se esperava deles. Nomes como os do chileno Braulio Leal conhecido por “El Chapita”, do uruguaio Ostolaza, do norte-americano Kamani Hill, do húngaro Balazs, do sérvio Knezevic. Ou então, a inolvidável dupla trazida por Norton de Matos, no ano do inferno da Segunda Liga, os gauleses Dembélé e Nemouthé. Ou, ainda, o memorável argentino, Jorge Molina, que a meio da temporada de 2011/12 assinou por quatro temporadas e meia, para nessa metade jogar, apenas, três minutos e ser dispensado sem dó nem piedade por Rui Vitória, que não quis esperar mais para aquilatar pelo potencial do jogador.

Mais recentemente, nomes como Oriol Rosell, Victor Andrade, Santiago Montoya, Mbemba, Marcílio, Haashim Domingo, Formiga, não foram capazes de entrar na história vitoriana pelas melhores razões…pelo contrário, as suas contratações, umas mais do que outras, entraram no rol das desilusões.

Na frente de ataque, muitos nomes, teoricamente escolhidos para levar os nossos adeptos à loucura, falharam… uns de modo mais estrondoso do que outros.

Os adeptos com mais de 30 anos, certamente dirão de cabeça dois nomes. Desde logo, João Tomás, que sendo um dos maiores goleadores portugueses, sê-lo-ia em todos os lados onde passou à excepção de Guimarães. Mas, também, homens como Fábio Júnior, recrutado à Roma na temporada de 2003/04 e incapaz de ser feliz em Guimarães.

Recordemos, ainda os nomes de Felizberto, Manoel (que teve duas oportunidades no Vitória, não aproveitando qualquer uma delas) Sérgio Júnior, os praticamente incógnitos Adelino e Alexandre Vitorino, o extremo Jefferson Feijão, Avely que nem o adepto com melhor memória recordará, o espanhol Paco Gallardo que jogou 45 minutos na época da descida e abalou, o longilíneo e abnegado Bacari Djaló que ao lado do brasileiro Anderson Costa, no ano da Segunda Liga, fazia dupla de respeito, a esperança Jean Coral fizeram os vitorianos sonhar…para rapidamente acordarem!

Até que chegamos a Santana Carlos, o angolano contratado por uma verdadeira fortuna e que chegava com o rótulo de melhor marcador do Girabola. Dinheiro investido para nove jogos, divididos em duas temporadas, e zero golos! Uma atroz desilusão….

Da América do Sul chegou o boliviano Saucedo, estrela maior do seu país, que, após os 45 minutos da estreia não mais jogaria, para fazer as malas e regressar aos Andes.

Depois deste, muitos outros entrariam neste rol. Quem esquecerá Fábio Fortes, o “novo Bebé”? Ou os hispânicos Machis e Jona? Ou Lalkovic? E quem não recordará o ponta de lança canarinho Russi, potencialmente, a ser assistido por Sami, o extremo que, atualmente, joga na Cova da Piedade? Ou, então, por Francis? Ou, a dupla colombiana composta por Rincón e Estupiñan, fortes investimentos, com cartel no seu país, e que juntos serviram para comprovar que o Vitória teria de ter outras soluções? E, quem poderá deixar de recordar, o polémico Junior Tallo que, além da carência óbvia de talento, apesar de ter chegado a actuar ao lado de Totti na Roma, jamais foi capaz de demonstrar uma centelha de talento… em dois anos, conseguiria marcar apenas três golos, dois deles aos amadores do Vasco da Gama da Vidigueira.

Finalizemos com Welthon, contratado por um montante apreciável ao Paços de Ferreira, para em época e meia apontar um singelo golo…e ser devolvido à precedência, ainda que por empréstimo.

Todos estes nomes têm um denominador comum…por vestirem a Branquinha mereceram o apoio e carinho de todos! Eram as nossas esperanças… os merecedores dos nossos aplausos… dos nossos cânticos! Verdade seja dita, como em tudo na vida, num ou noutro momento, uns conseguem expressar melhor as suas capacidades, sendo que nem todos poderão exibir os mesmos atributos.

São parte da história do Vitória e, de um modo ou de outro, tentaram engrandecê-la…. só por isso merecem o nosso aplauso!

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