Recordar… o Vitória #31

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A época foi de pesadelo…

Um terror para quem partira com tantas ambições!

Mas, aqueles primeiros sinais pareciam indiciar muitas dificuldades. Ainda que Vítor Magalhães, o presidente, tivesse apostado no regresso de Jaime Pacheco, qual D. Sebastião, a constituição de um plantel novo, a conta gotas, não augurava nada de bom.

Confirmar-se-ia… apesar da qualidade individual de homens como Svard, Benachour ou Saganowski, entre mais alguns, o Vitória faria um campeonato inesperado pela negativa.

Aliás, haveria de ficar marcado pelo pior que poderia suceder e que foi a descida aos infernos, naquela cinzenta tarde de Maio de 2006, onde, após mais uma derrota caseira, neste caso frente ao Estrela da Amadora, os adeptos do Rei despediram-se, em lágrimas, a entoar: “ Vitória até morrer”! No mínimo, arrepiante!

Porém, numa temporada triste, em que Pacheco seria despedido ficando famosa a frase de ter “um avião sem asas”, de Vítor Pontes não ter conseguido fazer a equipa submergir, de um apuramento para a final da Taça de Portugal ter sido perdido no último minuto da meia final em Setúbal, dois momentos ficarão para sempre marcados na história do clube.

Dois momentos de intenso fervor clubísitico, que fazem termos orgulho nas nossas raízes, na nossa forma de sentir e interpretar o amor a um clube, o nosso.

Primeiro, em Dezembro de 2005!

Aquela deslocação a Sevilha, para enfrentar, no Sanchez Pizjuan, a equipa que haveria de vencer a Liga Europa.

Foram mais de 3000 que rumaram em busca de assistirem a um momento de afirmação europeia dos Conquistadores. Não ocorreria, por força da capacidade superlativa dos espanhóis, que nem sequer deram azo ao sonho.

O espectáculo foi bonito, acima de tudo, nas bancadas, e conheceu o seu apogeu, e talvez uma centelha de esperança, quando o tunisino Benachour apontou um golo de antologia nas redes de Palop!

O outro grande momento ocorreria já no ocaso da temporada…quando muitos começavam a temer que o pesadelo se tornasse em realidade; ou seja, passados 48 anos, os Conquistadores fizessem uma viagem às catacumbas da Segunda Liga.

Para inspirar os ídolos, havia que jogar tudo… arriscar tudo! Tal, significou um cordão humano, desde o Hotel onde a equipa estagiava até ao estádio, no dia do jogo com o Benfica, orientado pelo holandês Ronald Koeman.

Num Sábado diluviano, as ruas de Guimarães encheram-se de gente…eram velhos, novos, crianças, que, independentemente das condições atmosféricas, acompanharam o autocarro dos ídolos a cantar, a apoiar… de lágrimas nos olhos, numa multidão cujo sinónimo para ela poderia ser, apenas, amor incondicional!

No campo terá sido a grande exibição vitoriana dessa temporada, deixando a equipa de Lisboa completamente manietada. Os golos do sueco Sebastian Svar e do português Neca foram o colorário do momento em que o jogo se começou a ganhar algumas horas antes, fora de campo.

Contudo, apesar desse momento, tal não seria suficiente… momentos negros posteriores selaram um destino indesejado! Haveríamos de voltar para uma das mais belas temporadas da nossa existência!

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