Recordar… o Vitória #43

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Uma figura amada por todos… ainda, hoje, ao serviço do Vitória, reconhecido como um dos grandes embaixadores da cultura do clube, sem ter nascido em Guimarães, nem sequer tendo sido formado nos Conquistadores!

Mas, Neno é especial! É daqueles que, à primeira palavra, nos conquista! Pela simpatia! Pelo sorriso fácil! Pelo modo como nos abre o coração e como conseguimos partilhar com ele bons momentos…seja da carreira seja das suas canções, seja da sua vida, que daria, certamente, para escrever um livro!

Nascido em Cabo Verde, rumaria a Portugal! Começaria a jogar no Barreirense, para dar o salto para o Benfica. Estávamos na temporada de 1984/85 e fruto da sua juventude não se afirmaria na Águia. Um período de tirocínio far-lhe-ia bem e a escolha recaiu em Guimarães! Seria amor à primeira vista. Nessa temporada, sob a orientação do lendário belga Raymond Goethals, ganharia o lugar a Jesus, fazendo 25 jogos. Refira-se que, segundo o próprio Neno, a aposta em si deveu-se ao facto de ser mais alto, o que lhe permitia lançar com mais rapidez e a maior distância os contra-ataques.

Voltaria ao Benfica, para mais duas temporadas na sombra de Bento e de Silvino, para seguidamente ser emprestado ao outro Vitória, o sadino. Contudo, em Guimarães havia deixado boas indicações, pelo que Pimenta Machado tudo fez para voltar a contar com ele.

Conseguiria e tornar-se-ia seria o líder do último reduto vitoriano durante duas temporadas. Viveria, aliás, uma época fantástica sob o comando de Paulo Autuori, onde os branquinhos conquistaram um fantástico quarto lugar. Nessa época de 1989/90 tocaria o céu e o inferno. Exibições sublimes pautadas por voos extraordinários e reflexos apurados fariam com que se tornasse internacional A. Seria no Brasil, no lendário Maracanã, perante um escrete que nesse dia não deu hipóteses. Além disso, desempenharia um papel importante no quarto posto que a equipa haveria de conquistar. Esse seria o céu! O inferno passou por uma lesão que fez com que não actuasse numa parte da época… e que falta fez para que o Vitória pudesse ir mais além!

Voltaria, após essa temporada, ao seu clube de origem, para alternar com Silvino na defesa das malhas encarnadas. Assim seria durante cinco temporadas, em que venceu títulos, continuou a ser presença assídua na selecção portuguesa e, acima de tudo, continuou a merecer o carinho de todos, independentemente das cores! Aliás, Neno é tão grande que um conjunto de fãs criou uma religião que o adora. Aliás, para eles o dia de aniversário do guardião é o “Nenatal”, assumindo-se como “Devotos de Neno.”

Até que chegou Artur Jorge ao Benfica e pediria Preud’Homme. Neno ficou sem espaço e voltaria para o Vitória, num projecto ambicioso do presidente Pimenta Machado, que ao Benfica, também, resgatou Vítor Paneira.

No Vitória, apesar de assumir a titularidade imediatamente, haveria de ter de lutar pelo posto com Nuno Espírito Santo, que nessa época tornar-se-ia a coqueluche dos adeptos. A ajudar à afirmação do guardião, actual treinador do Wolverhampton, a infeliz noite dos heróis destas linhas, num desafio contra o Benfica.

Nuno haveria de partir para o Deportivo para durante uma temporada as redes serem feudo, quase exclusivo, do guardião que é fã de Julio Iglésias e de Roberto Carlos.

Até que chegaria Pedro Espinha, vindo do Salgueiros. Neno, esse, haveria de se lesionar, ficando com os maxilares pendurados nas redes de uma baliza, durante um treino. Seria operado e não mais recuperaria o lugar.

Entretanto, ser-lhe-ia oferecido um lugar na estrutura do Vitória. Por isso, depois de penduras as luvas, já foi relações públicas, treinador de guarda-redes, director… a verdade é uma, o Vitória não se pode é dar ao luxo de prescindir dos seus préstimos! Por isso, escrever estas linhas nem será recordá-lo, pois é o presente e, talvez, parte do futuro dos Branquinhos. Contudo, acima de tudo, é alguém que torna universal a imagem do clube e que nos faz pensar que deveriam existir mais “Nenos” no futebol português… este seria, sem dúvida, um local melhor para se conviver!

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