Recordar… o Vitória #76

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Um jogador que chegou ao Vitória depois de ter ajudado a infligir num dos momentos de maior desilusão aos Branquinhos na década de 90 do século passado.

Na verdade, quem a tenha vivido que não se recorda da malfadada meia final da Taça de Portugal, em 1990, frente ao Estrela da Amadora? Aquela célebre eliminatória que, ainda era decidida só a uma mão e os Branquinhos estiveram a vencer na Reboleira, onde falharam oportunidades atrás de oportunidades para carimbar o passaporte para o Jamor, para defrontar o Farense, na altura na segunda divisão, e deixaram-se empatar. Tal obrigaria a um segundo jogo em Guimarães. Aí, novamente o mesmo filme… o Vitória em vantagem, os estrelistas a empatarem… e suprema ironia, o nosso clube a ser eliminado, no prolongamento, por um golo de um jogador pertença dos quadros do clube e que actuava no adversário a título de empréstimo: Basaúla, que ainda haveremos de falar dele em outro número desta rubrica.

Nessa equipa, comandada por João Alves, pontificava um médio defensivo que mandava no jogo da equipa. Um homem que segurava as rédeas do onze, ajudando a fechar defensivamente e, como agora, se costuma dizer encarregue da primeira fase de construção ofensiva, ou, se fosse caso disso, lançar rápidas transições que apanhassem o adversário desprevenido, sem capacidade de realizar basculações (aí está outro neologismo do futebol), originando verdadeiros tormentos aos últimos redutos rivais.

Falamos de Paulo Bento, que seria um dos esteios da nossa desilusão nessa eliminatória da Taça de Portugal, e que chegaria ao Vitória na temporada de 1991/92, pela mão do treinador que lhe dera a beijar o troféu da prova mais democrática do futebol português, João Alves, que já houvera rumado a Guimarães para orientar os Conquistadores.

Nessa primeira temporada assumiria, desde logo, papel relevo no onze da nossa equipa, estreando-se pelos Branquinhos na primeira jornada frente ao Famalicão a 18 de Agosto de 1991. Seria a âncora de uma equipa que, desde a primeira jornada, mostraria um futebol atractivo e dinâmico.

O primeiro golo, esse, chegaria, na décima sexta jornada do campeonato num empate a um em Chaves, seguindo-se, talvez, um dos momentos mais emblemáticos com a camisola do nosso clube. Estávamos, já, em 1992 e o Vitória recebia o FC Porto, com Vítor Baía a ostentar um record de inviolabilidade que já era europeu. Em primeira parte de gala, seria o médio defensivo a acabar com esse feito do guardião internacional português, graças a uma grande penalidade plena de mestria, cobrada por si.

A temporada continuaria com Paulo Bento a ser pedra preponderante e a ter papel decisivo no quinto posto obtido pela equipa e consequente apuramento para as provas europeias e por isso a merecer o seu baptismo na selecção de Todos Nós, num empate a zero, contra a nossa vizinha Espanha, num desafio disputado em Torres Novas.

O ano desportivo seguinte não teria o mesmo êxito. O Vitória, orientado por Marinho Peres, começaria a época de modo infeliz, não obstante a eliminação da Real Sociedad nas provas europeias. Uma série infeliz de resultados faria com que o técnico brasileiro fosse despedido e para o lugar dele entrasse Bernardino Pedroto, que levaria os Branquinhos a lugares tranquilos da tabela. O herói destas linhas, esse, seria, praticamente, totalista da temporada, ao disputar 39 desafios e a apontar 5 golos. Refira-se que estes números eram explicados por ser o cobrador das grandes penalidades da equipa.

Chegávamos à temporada de 1993/94, a última do médio defensivo com a camisola do Vitória. Como sempre preponderante, sempre a mandar no jogo da equipa, no seu estilo abnegado e voluntarioso que era um garante para a equipa.

Porém, este ano, para além da mão cheia de tentos por si apontada, ficaria marcada pelas grandes penalidades que terão custado a vitória do nosso clube no terreno do rival Boavista e um empate no Estoril. Pontos importantíssimos para a conquista de um objectivo europeu que fugiu entre os dedos.

A 02 de Junho de 1994, Paulo Bento faria o último dos 106 jogos que realizaria com o Rei ao peito. Frente ao Marítmo, no D. Afonso Henriques, num triste empate a zero, a culminar uma série horrenda de sete jogos sem o Vitória conhecer o triunfo e que lhe custaram as competições europeias.

Depois disso, conjuntamente com Dimas, partiria para o Benfica, transacção essa que suscitaria polémica.

Assim, alegadamente, o jogador fora vendido aos encarnados com uma pubalgia, o que o obrigava a uma intervenção cirúrgica, ficando arredado por longo tempo da competição. Por essa razão, o presidente Manuel Damásio disse que iria suspender o pagamento da sua contratação, algo que desencadeou a ira do líder vitoriano Pimenta Machado que ameaçou colocar os lisboetas em tribunal, algo que, felizmente, não seria necessário.

Paulo Bento, esse, continuaria o seu trajecto, mas sempre sendo lembrado pelo seu talento e esforço pelos Branquinhos…

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