Recordar… o Vitória #78

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A temporada 85/86 terá sido uma das melhores dessa década vitoriana. Para isso, muito contribuiu o quarto lugar conquistado pelos homens comandados pelo malogrado António Morais e pelo aparecimento brutal, voraz e repentina de uma máquina goleadora que apaixonou todos os vitorianos, tornando-se eterna: Paulinho Cascavel.

Porém, essa temporada não estava destinada a ser a de Paulinho, que, até chegou a Guimarães, proveniente do FC Porto, como moeda de troca de um júnior vitoriano e vimaranense de boa cepa, o guardião Best.

Não, as esperanças vitorianas não residiam naquele brasileiro inadptado ao futebol europeu, que passara quase incógnito no clube de Pinto da Costa, na sombra de Fernando Gomes e que parecia destinado a ser suplente nos Conquistadores.

Nesse ano, as esperanças, as fichas que se deveriam apostar recaiam em outro brasileiro, esse sim de cartel, de curriculum, e que na época anterior, a partir de Janeiro, houvera sido uma das peças mais atraentes do conjunto gizado pelo belga Raymond Goethals, um velho andarilho do futebol, e que encontrara refúgio para os problemas judiciais que o apoquentavam na Bélgica, em Guimarães.

Falamos de César, um avançado canarinho, que chegou ao Vitória nessa época de 1984/85, com o melhor indicador que pode estar em qualquer cartão de visitas de um atleta profissional: internacional pelo seu país.

Tratava-se de um goleador que se tinha distinguido nos principais emblemas do seu país, como o Vasco da Gama e o Palmeiras, e que, por isso, merecera cumprir dois sonhos que qualquer jogador do país irmão sonha. Além de ter sido duas vezes internacional na antecâmara do inesquecível Mundial de 1982, tendo ficado à porta de integrar a mais bela selecção que nada ganhou que foi o escrete daquele ano (paz à alma de Rossi, que por estes dias nos deixou), ainda conseguiu abrir, de par em par, as postas da Europa, através do Sevilha.

Porém, na Andaluzia a aventura europeia não correria como o sonhado. César, apesar do estatuto, teve dificuldades em afirmar-se no onze de Miguel Muñoz e passadas duas temporadas regressaria ao seu país.

Seria por pouco tempo…pois, a porta do Velho Continente reabrira-se através do Farense, que, sempre teve fama de bem acolher os jogadores brasileiros.

Pouco tempo estaria no Algarve, rumando logo em Janeiro dessa temporada, a Guimarães, como esperança de resgate de uns golos que não surgiam na equipa dos Branquinhos, em época de desilusão.

O seu primeiro desafio a 13 de Janeiro de 1985 frente ao Sporting seria uma mera sinopse… onze minutos em campo para apresentação, a que se seguiriam mais quarenta e cinco no jogo seguinte frente ao Belenenses. Duas derrotas para os Conquistadores e o brasileiro, depois dessas desfeitas, a ser chamado à liça, desde o primeiro minuto nos jogos seguintes.

E com sucesso… talvez, o seu único sucesso em Guimarães. Um golo na vitória, no, então, derby concelhio frente ao Vizela e outro, de enfiada, na Taça de Portugal no jogo perante o Trofense… era ouro, aquele brasileiro, dizia-se!

Puro engano… Apesar de ter sido sempre utilizado até ao final do campeonato, não mais marcaria mais algum golo até ao final da prova.

Todavia, nada que diluísse as esperanças em si… provavelmente, a época de 1986/87 seria a época da sua afirmação, da demonstração das qualidades que o levaram a vestir de verde e amarelo, com o manto da canarinha.

Puro engano… perderia a titularidade para o homem que iria durante dois anos escrever história, a nossa história, sendo utilizado em apenas três períodos de jogo até à sétima jornada, num empate a zero frente ao Desportivo de Chaves, em que jogou 25 minutos.

Aí, abandonaria o Vitória regressando a Faro e confirmando que ganhar o lugar a quem marcou encontro com a história e com a eternidade é impossível…Paulinho, em Guimarães, é nome de semi-deus!

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