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REUNIÃO DE CÂMARA: DESEMPREGO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO EM DISCUSSÃO

Se por um lado o PSD defende que a autarquia criou uma “novela” em torno do desenvolvimento económico, o executivo socialista garante que Academia de Transformação Digital irá resolver o problema da falta de qualificação dos trabalhadores.

©  Mais Guimarães

O vereador do PSD, Bruno Fernandes, defendeu que a autarquia tem vindo a criar “uma novela” em torno do desenvolvimento económico e que tal está a prejudicar o concelho, com o número de desempregados a crescer mais do que a média nacional e do que nos concelhos vizinhos. A acusação foi feita no período antes da ordem do dia da reunião municipal desta segunda-feira.

Na resposta, o vereador com o pelouro do Desenvolvimento Económico, Ricardo Costa, garantiu que “existe necessidade de empregar pessoas, mas as pessoas não têm a formação adequada para o que as empresas procuram”. Já o presidente da autarquia de Guimarães, Domingos Bragança, frisou que o projeto da Academia Digital irá precisamente contrariar este problema. “Queremos que a Academia promova, além da formação e qualificação dos trabalhadores e empresários destas microempresas, pequenas empresas, médias empresas e grandes empresas, a revalorização das profissões, para que ninguém fique para trás deste processo da revolução digital”.

Segundo dados o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), em Guimarães, em janeiro de 2020, registavam-se 5 mil 841 pessoas sem emprego. Olhando para o período homólogo, janeiro de 2019, registavam-se 5 mil 782 desempregados.

O social democrata começou por admitir que este é um tema “quase habitual”. “Terei que fazer a intervenção enquanto o paradigma não mudar”, apontou. Segundo Bruno Fernandes, o desemprego em Guimarães é de 7.2%, sendo que a média nacional é de 6.7%. O social democrata acrescentou que, em janeiro deste ano, o desemprego subiu 5.3% no concelho, quando a média nacional foi uma subida de 3.2%. “Guimarães, ao contrário dos concelhos do distrito da sua dimensão e da média nacional, tem aumentado a sua taxa de desemprego, de forma que não é normal nem seria esperar nos dias de hoje”, apontou.

Bruno Fernandes foi mais longe e disse ser necessário refletir – apelando também à comunicação social – acerca dos anúncios feitos pela autarquia e a sua efetiva concretização. “Olhando para os últimos dez anos, podemos ver vários exemplos. Foi defendido que o paradigma industrial em Guimarães iria mudar com a Capital Europeia da Cultura, ancorado nas indústrias criativas. Isso não correspondeu à verdade. Por 2013, era a fábrica dos sabonetes. O desenvolvimento económico seria ancorado na componente termal e uma fábrica de sabonetes ia revolucionar o concelho. Também sabemos que nada disso aconteceu”, recordou.

Bruno Fernandes destacou ainda a anunciada Academia Digital, um projeto que representa um investimento de 200 milhões de euros. “Foi apresentado em fevereiro de 2018. Estamos em março de 2020 e não há resultado prático deste projeto, que era revolucionário, apresentado com o ministro da economia”, frisou. “Parece uma brincadeira com uma coisa muito séria. Enquanto discutimos isto, a taxa de desemprego sobe”, acrescentou.

Durante a reunião, o vereador Ricardo Costa garantiu que existe “necessidade de empregar pessoas, mas as pessoas não têm a formação adequada que as empresas procuram. O mercado precisa de outra formação. A Indústria de Guimarães é pujante”, garantiu.

Após a reunião municipal, aos jornalistas, a resposta surgiu por parte do autarca Domingos Bragança, que apontou que, “do ponto de vista da classificação das empresas, a realidade de Guimarães é diferente da de outros concelhos”. Segundo o autarca, Guimarães tem cerca de 4 mil e 400 microempresas, entre zero e 10 trabalhadores, que têm um volume de negócios na ordem dos 1,2 mil milhões de euros. Além disso, existem cerca de 900 empresas entre 10 e 50 trabalhadores e cerca de 200 empresas com entre 50 até 250 trabalhadores. Há ainda 14 com mais de 250 trabalhadores. “Em reunião, decidimos que a realidade que Guimarães tem é interessante. “Estamos a trabalhar na área aeroespacial, na biotecnologia, na biomedicina. Queremos que a Academia de Transformação Digital promova, além da formação e qualificação dos trabalhadores e empresários destas empresas, a revalorização das profissões, para que ninguém fique para trás deste processo da revolução digital”, defendeu.

Domingos Bragança frisou ainda a necessidade de continuar a formar “muitos engenheiros, muitos economistas e muitos biólogos”. Porém, ressalvou, não se podem esquecer “aqueles que estão no trabalho e vão perdendo competências, dada a revolução digital que se assiste”. “Será trabalho mais remunerado, a partir do qual podem fazer o seu projeto de vida”, assegurou.

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