R(IO)ENOVAÇÃO

por RUI ARMINDO FREITAS
Economista

Este fim de semana o PSD foi a votos. Foi uma eleição disputada por todo o país, num modelo de primárias, nas quais, em todas as secções os militantes com quotas em dia, puderam fazer a escolha daquele que acreditam ser a melhor alternativa a António Costa nas legislativas do próximo ano.

 

Depois de escrutinados os votos, numa eleição muito participada e disputada, ficamos a saber que o homem que estará ao leme do maior partido da oposição é Rui Rio. Será então Rio o homem que renderá Passos Coelho. E nesta hora, já há muito anunciada, de afastamento de Pedro Passos Coelho julgo que é justo tecer algumas considerações daquele que agora sai. Fui apoiante de Passos da primeira hora, considero que Passos Coelho foi um dos melhores, se não mesmo o melhor primeiro ministro que Portugal teve em democracia. Bem sei que foram tempos difíceis, e muitas vezes em política cola-se quem lá está á situação que está a ser vivida num determinado momento. Nada mais injusto. Passos governou numa época de duros sacrifícios para todo o país. Recebeu o país em bancarrota depois de um governo de desvarios que saíram muito caros a Portugal. Para além disso, herdou também um memorando de entendimento, assinado por José Sócrates, com a receita que a Troika (FMI, CE, BCE) entendia e obrigava que fosse cumprida para emprestar dinheiro ao nosso país, numa altura que Sócrates e Teixeira dos Santos deixaram os cofres públicos sem dinheiro que bastasse para pagar salários e pensões. Passos herdou tudo isto, mas foi maior que isto. Suportou o governo mesmo quando até o seu parceiro de coligação ponderou demitir-se irrevogavelmente, por entender que a estabilidade, naquela fase, seria mais importante para o país, do que alguma jogada táctica que nos conduzisse a eleições. Reformou, menos do que muitos desejavam, mas ao contrário dos dias de hoje, naquela época ainda existiam sindicatos em Portugal, e os partidos da esquerda reagiam a tudo, com uma violência de uma dimensão apenas comparável à passividade que têm nos tempos que correm. Resgatou o país ao jugo da Troika, mas fica, para muitos, colado a tempos difíceis pelos quais Portugal passou. Contudo a maioria dos portugueses reconheceram-lhe razão e deram-lhe a vitória nas eleições. O impensável aconteceu, quem perdeu afinal ganhou e ficou com o comando do país depois da tormenta passada. Enfim, pode parecer injusto, mas a política tal como a vida, pode ser muito injusta, e o seu tempo terminou. Anunciou a sua retirada depois de umas autárquicas em que os resultados foram maus para o PSD. Perdemos um estadista, mas a história irá com certeza fazer-lhe justiça, é sempre assim.

 

O partido clamava por renovação, e o país necessita de um PSD forte. A renovação, muito ao estilo português, veio de protagonistas que já são presença habitual nas nossas casas há décadas, ainda não foi desta que houve uma lufada de ar fresco. Alerto os leitores para o facto de PS e PSD, os dois maiores partidos portugueses, insistirem nas mesmas caras há mais de 20 anos. A campanha ficou marcada pelo revolver do passado em busca de casos que fizessem desempatar a contenda. As ideias para o futuro ficaram para segundo plano. Agora é tempo de trabalhar pelo país. Lançar o futuro, trabalhar as propostas, trabalhar as ideias, para que este Rio de esperança que agora nasce, não seque pela falta delas.

 

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