RUI VELOSO EM ENTREVISTA EXCLUSIVA

Rui Veloso, o “Pai do Rock Português” apresenta-se no Multiusos de Guimarães, no próximo dia 05 de maio para um concerto que se imagina memorável. O músico revisitará alguns dos mais importantes temas da sua carreira, que marcaram várias gerações.

À Mais Guimarães, o cantor, compositor e guitarrista, que começou a tocar harmónica aos 06, lembra a primeira vez que visitou Guimarães, com oito ou nove anos, guardando ainda a fotografia captada junto à estátua de D. Afonso Henriques.

Como está a ser preparado o concerto em Guimarães?

Este concerto surge no decorrer desta pequena tour que estou neste momento a fazer. É um concerto diferente porque tem uma parte que eu já não fazia há muito tempo, mais acústica, e tem uma segunda parte com alguma guitarra elétrica, de que gosto muito. Também tem uns temas que eu já não toco há uma data de anos e, portanto, é uma coisa bastante diferente do que eu tenho feito ultimamente e acho que vai ser giro e que o pessoal vai gostar. Em Guimarães ainda não sei que alinhamento vou fazer mas será parecido com o que tenho feito nesta tour mas com algumas modificações. Quando chegar aí vou ver a sala, a sonorização, e depois preparar um alinhamento para o concerto, mas eu nunca tenho uma coisa muito certa porque faz parte haver sempre alguma improvisação nos meus concertos.

Lembra-se da última vez que esteve em Guimarães?

Sim, não foi há muito tempo, já estive aí no Pavilhão Multiusos algumas vezes.

Como correu, e quais as expetativas quanto a este concerto?

Eu gostei muito mas o espetáculo agora é diferente. Diria que o som é mais intimista do que era da última vez, que era um bocadinho mais barulhento. Para mim, que já estou a ficar velhote, e já não aguento muito o volume de som, esta vertente é muito boa e o pessoal também gosta, porque acaba por se ouvir melhor.

E é para não ferir os tímpanos também à legião de fãs que fez há anos e que irá certamente acompanhá-lo… E esses são, provavelmente, os que exigem mais do Rui?

Eu acho bem, estou a contar com eles, eu também já sou exigente por natureza. Eu acho que as pessoas que vão ver querem um bom concerto, é bom serem exigentes também, querer sempre melhor, acho que isso para mim é ouro sobre azul.

Lembra-se da primeira vez que esteve em Guimarães?
Andava na escola primária, fui ao castelo, ainda tenho fotografias de quando tinha oito ou nove anos aí ao pé do D. Afonso Henriques, mas a tocar já não me lembro, já foi há muitos anos.

Mas há algo assim de extraordinário que tenha acontecido em Guimarães que queira partilhar?

Em Guimarães, o espetáculo do Mingos e os Samurais foi uma coisa de outro mundo, quase que caia o teto do pavilhão, meu Deus, foi na tournée de 91. Mingos e os Samurais foi mesmo inacreditável, incrível.

O Mingos e o Samurais é o seu disco preferido?

Isso é como os filhos, qual é o filho preferido? Aqui uma pessoa tem filhos e gosta dos três, portanto, os discos são um bocado como os filhos. À conta do Mingos e os Samurais tenho a minha casa, portanto, tenho de agradecer a esse disco por causa disso, e continuo a cantar canções do Mingos e os Samurais, que é um álbum de que eu gosto muito, que acho que está muito bom.

 

“ANDAVA NA ESCOLA PRIMÁRIA, FUI AO CASTELO, AINDA TENHO FOTOGRAFIAS DE QUANDO TINHA OITO OU NOVE ANOS AÍ AO PÉ DO D. AFONSO HENRIQUES.”

 

Ainda tem muitos planos para a sua carreira?

Não tenho assim muitos planos, eu já fiz muita coisa, muitas canções. Hoje em dia acabo por tocar as músicas que já fiz há muitos anos, acabo por reinterpretá-las, por tentar melhorá-las. O que é bom é que as pessoas vão ouvindo as músicas e vem a geração seguinte, que nunca as ouviu, e acaba por as ouvir quase como se fossem novas, isso é muito interessante. Vou continuar a fazer canções e num dia destes gravar um disco, talvez grave um disco quando tiver material que eu ache que justifique, embora os discos hoje em dia tenham perdido um bocadinho o sentido, agora é muito mais a canção. E quanto aos discos, o LP ou o CD, a minha geração já não sabe o que se há-de fazer, há muita gente assim como eu que está na expetativa: isto já não volta ao que era. Se calhar vamos fazer uma música de cada vez e colocamos na internet, sei lá, até as editoras perderam um bocadinho o sentido que havia antigamente e, portanto, nós vivemos assim nesta expectativa se vai haver alguma modificação que nos devolva aquela coisa de se fazer um disco às vezes com uma história inteira.

 

“GOSTO DE TOCAR AO VIVO, GOSTO DE ESTAR COM MÚSICOS, GOSTO DE COMPARTILHAR O PALCO COM MÚSICOS, TOCAR E FAZER EQUIPA.”

 

 

Agora é mais difícil construir-se uma carreira do que no tempo em que começou a sua?

Eu não sei. Toda a gente concorda que para se fazer uma carreira longa é preciso ter jeito para a coisa, não basta fazer só uma música ou ter tudo à mão. Eu acho que é como em tudo e que não depende das épocas mas de quem tenha jeito e de quem não o tenha. Com esta vulgarização na música, e a música a ser acessível a toda a gente, surgem muitos convencidos que dizem que são músicos e artistas, e toda a gente quer ser artista e toda a gente quer cantar. Como em todas as artes há muitos que têm jeito e poucos ficam na história. Nós, na altura, tínhamos muitas dificuldades de material, era mais difícil. Agora esta tudo muito mais fácil, desde as estradas até aos instrumentos, vejam só a facilidade com que hoje se grava qualquer coisa em casa, era na altura impossível. Umas coisas compensam as outras mas eu acho que a base tem de ser sempre a mesma, ter o talento e o conhecimento musical.

 

 

Fotos: DR

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