S. Torcato enaltece a língua de Camões e promove a cultura local

A junta de freguesia de São Torcato e o agrupamento de escolas Vale de São Torcato assinalaram o Dia Mundial da Língua Portuguesa com a 2.ª edição do Prémio Literário Vila de São Torcato. O objetivo é preservar e enaltecer a língua de Camões mas também promover a cultura local.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Filipe Santos, mentor do concurso literário, lançou o repto ao presidente da junta que o “recebeu de braços abertos”. Na sua perspetiva, os jovens de hoje em dia utilizam muitos “estrangeirismos e inglesismos” por não saberem “falar os portuguesismos”.

“Constatei que os miúdos, e pessoas já estudadas, não percebiam português e usavam inglês e os estrangeiros corriqueiros”, contou ao Mais Guimarães. Há, por isso, uma “necessidade de incrementar mais o português”.

Para Alberto Martins, presidente da junta de São Torcato, este é um evento com muito significado. “Significa transmitir às novas gerações a importância do português e da língua portuguesa”, destacou, dando conta dos objetivos desta atividade: “potenciar o conhecimento e permitir que os jovens possam escrever sobre a sua terra, as suas tradições, património e lendas”.

“Nada melhor que atribuir um prémio literário aos jovens do 3.º ciclo, de forma a incentivá-los a escrever em português, e a escrever bem em português”, acrescentou o presidente da junta que acredita que é necessário “pensar que a língua portuguesa é a nossa casa e a nossa nação”.

Estes concursos são “sempre de elevada importância” uma vez que desenvolvem outro tipo de competência nos alunos. Este em específico, destaca José Freitas, diretor do agrupamento de escolas Vale de São Torcato, “faz enaltecer a língua portuguesa, nomeadamente a escrita”.

“Saber escrever bem é uma arte e é uma arte que tem que ser cultivada”, refere lamentando que, “cada vez mais, com o telemóvel e o digital, a arte de bem escrever vai-se perder”.

Para a professora subcoordenadora do grupo de português da escola, Margarida Vila Nova, a iniciativa “correu mesmo muito bem”. A professora relembrou que o português “não é uma língua morta, é uma língua viva” e o facto de português não ser apenas uma disciplina, uma vez que é a língua que utilizamos para tudo no nosso dia a dia.

Num ano em que quase duplicou o número de textos a concurso, Ana Leonor da Silva, Ana Francisca Fernandes e Bianca Fernandes foram as três alunas distinguidas com o prémio monetário a descontar no comércio local. Este é um motivo que, para Albertos Martins, deve ser salientado. “É assim que vemos a comunidade e o desenvolvimento da vila e é assim que queremos todas as iniciativas, que revertam sempre para o desenvolvimento integral de S. Torcato”.

“Temos aqui o material para equipar uma sala de futuro, mas não temos sala”

O atraso nas obras na escola é um problema que tem preocupado Alberto Martins e José Freitas. Para o presidente da junta de freguesia, “esta é uma obra fundamental que irá alavancar todo o vale de S. Torcato”.

“Sabemos que temos perdido população ao longo de todo o vale e S. Torcato foi uma exceção perdendo menos população do que a média do concelho”, recordou. “Temos feito um trabalho para manter a população, mas sem a e.b. 2, 3 é impossível mantermos população”, referiu destacando a “comunidade brilhante que tem resultados comprovados no dia a dia, nos concursos que participa, nas notas dos alunos”.

A comunidade escolar, acredita “merece muito mais do que uma reivindicação do presidente da junta, merece umas instalações condignas de uma escola que tem mais de 40 anos e grita por necessidade de requalificação”.

José Freitas lembra que “já desde 2014 que estas promessas vêm” e mostra-se “triste” pois tem “todas as condições e mais algumas para ter uma escola que proporciona um ensino de qualidade, de vanguarda e futuro”.

“Temos aqui o material todo para equipar uma sala de futuro, mas não temos sala. Tenho a candidatura ganha do clube de ciência viva, tenho falado disto em concelho geral, temos tudo preparado para montar esse clube, temos verba”, lamentou.

“É premente e emergente que se faça a requalificação da escola”, vincou. “Se assim não for continuaremos aqui e a dar razões para que a escola sobreviva e para que os alunos consigam manter uma qualidade e aprender da melhor maneira”.

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