Ser professor em tempo de pandemia

Por Eliseu Sampaio.

Quando escrevo este texto vou já a meio do segundo confinamento em menos de um mês. Já dá para perceber o que isto é e como será daqui em diante, pelo menos nos próximos meses.

Por contactos que os meus filhos tiveram nas escola com colegas de turma que testaram positivo para a Covid-19, lá tivemos que neste curto espaço de tempo, e naturalmente, resguardar-nos e esperar, testar, respirar fundo e depois voltar, resguardar-nos de novo e esperar de novo, testar de novo e, agora, preparamo-nos para regressar, de novo. E é apenas um ciclo que, tão certo quanto eu ter escrito este texto o leitor o ler, se manterá. Mas, enquanto a saúde estiver salvaguardada, tudo bem!

É urgente consciencializarmo-nos que isto é assim agora, e que este é um tempo de exceção. Às escolas, e aos seus profissionais, pedimos que percebam também este como um claro tempo de exceção.

Devo dizer-vos que constato que o acompanhamento que é feito às nossas crianças quando estas se encontram em isolamento tanto é muito bom como muito mau, dependendo, obviamente, da qualidade ou humanidade dos professores que as acompanham. Sei que muito lhes é pedido nesta altura, que vivem sob um enorme stress nas escolas, com máscaras e cuidados que não desejam e uma exposição e tarefas que preferiam não ter. Mas, meus caros professores, neste aspeto, estamos mesmo todos no mesmo barco. Também vos pedimos, como pedimos a todos os profissionais de tantas outras as áreas, porque isto está tudo ligado, um grande espirito de entreajuda.

Se, por um lado, tenho sentido uma grande flexibilidade de alguns professores em se adaptarem às novas circunstâncias, de outros percebo uma clara falta de vontade para acompanharem estes alunos, e isso vai refletir-se, naturalmente, numa deficiente aquisição de conhecimentos. Mas isso é aqui o que menos importa.

Mais importante é o exemplo que dão a estas crianças num período tão importante do seu desenvolvimento. Tal como tantas gerações, estas crianças também vos têm como referências, não as desiludam.

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