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Teatro, música, poesia, cinema, som, desporto. O que há em comum com a literatura?

Húmus – Festival Literário de Guimarães está de regresso entre 7 e 12 de março.

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De que forma se interligam o teatro, a música, a poesia, o cinema, o som e o desporto com a literatura?

Tratam-se de escolhas “pouco óbvias” e que pretendem desvendar “ângulos mortos ou cegos, que não têm expressão neste tipo de conversas, mas que podem ser muito interessantes”. É desta forma que Afonso Cruz, responsável pela curadoria do Húmus – Festival Literário de Guimarães, classifica a programação que se estende entre 7 e 12 de março.

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Ao longo de quase uma semana, a Biblioteca Municipal Raúl Brandão volta a ser o epicentro do Húmus, que teve a sua primeira edição em 2017, altura em que se assinalaram os 150 anos do nascimento de Raul Brandão.

Envolvendo a comunidade local, o evento pretende dar destaque ao papel determinante da vida e obra de Raul Brandão para a cultura portuguesa em geral, e para o enriquecimento intelectual de Guimarães, em particular. Também Joaquim Santos Simões verá a sua vida e obra relembrada.

Álvaro Laborinho Lúcio, Capicua, Carlos Daniel, Carlos Tê, Inês Pedrosa, João Reis e Ondjak são alguns dos nomes bem conhecidos do público que marcarão presença na cidade-berço. A aposta é na “originalidade”, de forma a que a programação reflita o seu carácter “inter e transdisciplinar”.

Ao Mais Guimarães, Afonso Cruz confessa que esta curadoria “foi um grande desafio”, ao “reunir uma série de pessoas de áreas muito diferentes de forma a que tenhamos perspetivas, não opostas, mas com alguma tensão entre os problemas ou questões que são abordadas”.

Escritor, ilustrador, cineasta e músico, Afonso Cruz faz uso da sua vasta experiência profissional para se distanciar da literatura como uma atmosfera fechada.

“É mostrar a literatura do ponto de vista do escritor, sem dúvida, mas também do ponto de vista de outras pessoas que possam ter algo ver com o tema ou que possam fazer uma ponte à literatura”, esclareceu.

Dias antes do início de mais uma edição do festival, que terá mais de 30 convidados e mais de uma dezena de iniciativas, confessa que “as expectativas estão altas” e diz acreditar que este “confronto entre várias as áreas profissionais” é o selo de garantia de originalidade do Húmus.

A edição arranca a 4 de março, com um sábado mágico. Entre as 09h30 e as 18h00, decorrerá a oficina plástica Raul brandão e Santos Simões. Nuno Machado e Clara Rego promovem um painel comunitário de azulejos.

O 31.º aniversário da biblioteca dá o mote para o início do festival, a 7 de março, pelas 10h00, com a performance musical com o tema “Dedicatória”, da autoria de Óscar Ribeiro com a comunidade. Na mesma altura, serão entregues os prémios do concurso “Instantes Criativos”, que vai premiar a escrita criativa e ilustração, através da Rede de Bibliotecas Escolares.

Pelas 15h00, decorrerá a hora do conto com “Os meus contos para crianças”, de Santos Simões, momento que se repetirá no dia seguinte, pelas 16h00.

O letrista e escritor português Carlos Tê junta-se à artista musical Capicua para abordar a poesia e a música, em “Escrevo como canto”, pelas 21h00. Segue-se uma performance de Rui Spranger e Isaque Ferreira.

A literatura e cinema são os temas em destaque no segundo dia de festival, que arranca com uma conversa do realizador Rodrigo Areias, pelas 10h00, com alunos de artes visuais.

Mais tarde, pelas 10h30, no polo das Taipas, terá lugar a apresentação do livro “Mira: a cadela que nasceu para amar”, de Elisabeth Deschauer.

A noite é reservada à “Estranha Beleza” da literatura, com os convidados Ondjaki, Inês Pedrosa, Álvaro Laborinho Lúcio, com início pelas 21h00. Segue-se uma performance de Afonso Cruz e Mariana Correia.

A apresentação do livro “Ondeando”, do vimaranense músico Tiago Simães, inicia um dia totalmente dedicado ao cinema e som. A sessão acontece no polo de Pevidém, pelas 10h30.

Pelas 15h00, a Biblioteca Raul Brandão recebe a apresentação do livro “Os três desejos”, sob chancela da Opera Omnia, do autor Júlio Borges e dramatização de Rui Ramos.

O som e os filmes são o mote para mais uma conversa do Húmos, desta vez com João Reis, Catherine Morisseau, Miguel Lima e Tiago Guedes. Haverá ainda espaço para uma performance da pianista francesa.

A 10 de março, destaque para o teatro e desporto, através de uma conversa com antigos jogadores do Vitória SC sobre o “teatro” dentro do campo, com presença de alunos do 3.º ciclo. Meia hora mais tarde, é apresentado o livro “Era (e é) uma vez o Vitória” de Paulo César Gonçalves e Catarina Peixoto.

O final da tarde reserva “A finta, a fita e a mentira”, com os convidados Carlos Daniel, Rui M. Silva e Patrícia Portela, pelas 18h30.

Sobre estas iniciativas que visam refletir sobre o desporto e o teatro, Afonso Cruz esclareceu que “existem aqui ligações que não são, à priori, tomadas em consideração, mas que fazem parte de ambos”. É o caso da simulação que “muitas vezes é usada como batota, mas, mais importante do que isso, é usada como uma inovação artística”. Surge, portanto, o conceito de “nota artística da jogada”. Ou seja, já não se trata de “correr e marcar, mas sim correr e marcar com beleza”.

“Há essa outra dimensão que é muito semelhante à representação. Estamos a recriar alguma coisa. Vamos para a esquerda e para depois ir para a direita, por exemplo, e há uma beleza nesta simulação, que em algo se assemelha ao teatro”, elucidou.

“Traz um amigo também” dá o mote às iniciativas de sábado e domingo, 11 e 12 de março. O dia inicia-se com o teatro de fantoches D. Tão Parlapatão de Santos Simões, com interpretação musical de Fernando Fernandes e Fernanda Macedo.

Pelas 16h30 acontece a inauguração da exposição “Traz um amigo… os livros também”, com a presença de Isabel Santos Simões e Henrique Barreto Nunes.

Uma hora mais tarde, Carlos Poças Falcão, Alves Pinto, Fernando Fernandes, Jaime Cardoso e Henrique Barreto Nunes reúnem-se para uma conversa sobre memórias e vivências.

Amaro das Neves e José Manuel Mendes são os convidados de domingo, com Santos Simões e Raul Brandão no centro da conversa. Pela primeira vez nesta edição, a música de intervenção chega aos vimaranenses pelas vozes de Paulo Rodrigues e Ana Silva.

As iniciativas são de entrada livre, com organização da Câmara Municipal de Guimarães, biblioteca Municipal Raul Brandão e The Book Company.

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