Tempos que passam

Por Mariana Silva, Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

Já estamos em março e eu diria que o tempo está a passar muito rápido.

No final do ano de 2021 fechámos os olhos e desejámos com muita força que 2022 fosse um ano mais amigo, mais fraterno, mais tranquilo, sem sobressaltos, sem isolamentos ou sem medo de viver.

Queríamos ser todos melhores, depois de um susto muito grande em que cada um de nós percebeu que não somos ninguém sem família, sem amigos, que não gostamos de viver na gaiola que as nossas casas se transformaram.

Adotaram-se gatos e cães para que o lar não estivesse tão vazio, e porque passou a ser um argumento para se poder sair de casa, respirar ar fundo, ver a vida a acontecer em tempo real. São agora necessárias campanhas para que as pessoas não abandonem os seus animais, nos tempos que se aproximam.

A solidão revelou-se sem vergonha nos dois últimos anos. Assistirmos a abandono de idosos nos lares, constatámos que existiam milhares de idosos a viver sozinhos, isolados nas suas aldeias sem transportes públicos. Solidão e isolamento que ficaram expostos nas televisões que ficaram ligadas desde o acordar ao deitar, mas que viviam na porta ao lado há décadas, fruto de um desinvestimento atroz nos serviços públicos.

As opções políticas trouxeram-nos aqui, aos problemas que a pandemia agravou, mas que já existiam e para os quais os partidos que compõe a Coligação Democrática Unitária (CDU) sempre apresentaram propostas para que fossem resolvidos.

As opções governativas passaram por se taparem buracos com os apoios esporádicos, com promessas de que com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é que vai ser. No sítio internet do PRR podemos ler que “(…) pelo seu carácter extraordinário, o Plano de Recuperação e Resiliência é uma “supervitamina” destinada a acelerar a recuperação económica e social e promover uma transformação resiliente e justa, colocando Portugal no caminho da dupla transição, verde e digital.”.

Dizem-nos que a dita “supervitamina” vai trazer mais financiamento a projetos com ligação à transição digital, à descarbonização, à transição climática, à criação de habitação social, à construção de mais residências para estudantes universitários entre outras áreas. E, por tanto, nas últimas eleições legislativas este plano foi vendido, mais por um do que por outros, como a boia de salvação da economia de Portugal.

Assim sendo, os próximos tempos exigem de cada um nós mais atenção ao surgimento de cada novo projeto em nome de uma suposta transição ou em nome de um suposto progresso do país.

Precisamos que as populações, através das suas associações, e movimentos, sejam envolvidas nos possíveis projetos de mineração. É preciso que as pessoas sejam esclarecidas sobre as consequências que estes projetos podem trazer para a economia, para a cultura, para o dia-a-dia das localidades abrangidas. Todas as consequências ambientais, a perda de biodiversidade, a contaminação dos lençóis freáticos, a destruição da paisagem, a eliminação da agricultura, a degradação da saúde das populações, não serão um preço demasiado alto para se pagar no futuro?

Falo-vos dos projetos de mineração de lítio e minerais associados, mas podia falar-vos de muitos outros planos que pedem que as populações se envolvam e que sejam voz activa nas decisões para o desenvolvimento da sua freguesia, concelho ou país.

Por último, gostaria de condenar a guerra na Ucrânia. A violência não pode ser a resposta.

Paz sim, guerra não!

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