Testagem de idosos avança, com oposição a pedir urgência na execução

O covid-19 voltou a dominar a reunião de Câmara, com o executivo a aprovar um protocolo que permitirá a testagem da população sénior residente em lares e instituições. A autarquia fez ainda um ponto da situação de infeções em lares do concelho.

  © Mais Guimarães

Foi aprovada por unanimidade, esta segunda-feira, em reunião municipal, a celebração de um protocolo de colaboração entre o município, a Associação Centro de Medicina P5 e o Hospital da Senhora da Oliveira (HSOG) “para a testagem da população sénior residente em lares e instituições” do concelho. Para já, ainda não há data para a execução dos referidos testes, que abrangerão um total de cerca de 3.500 pessoas.

Apesar de ter votado favoravelmente a proposta, a coligação Juntos por Guimarães apresentou diversas dúvidas relativamente à celeridade da realização dos testes no âmbito do protocolo. André Coelho Lima, vereador do PSD, considerou que a “montagem deste sistema da qual resulta este protocolo poderia ter sido realizada antes”. “Aquilo que queremos é que agora seja colocado em prática o mais rapidamente possível. Grande parte dos concelhos estão a proceder por meios próprios a testagem dos seus lares, não há nenhuma razão para que Guimarães o tivesse feito no mais breve prazo”, frisou.

O vereador social-democrata apontou que o protocolo em cenário “normal” estaria “bem montado”, por se servir de “competências de entidade externas”. Porém, para Coelho Lima, nesta altura, “não há tempo para isto”. “O tempo que vai demorar até termos resultados não se compadecem com a urgência que temos de ter nesta resposta”, disse, explicando que, ao contratar um laboratório, o município poderia exigir a elaboração de todos os testes em duas semanas. “Estamos contra a metodologia mais lenta, pois precisamos urgentemente de saber a situação dentro dos lares”, avisou.

Também o vereador do CDS, António Monteiro de Castro, defendeu que o município deveria ter tido uma atitude “preventiva” e “não reativa”, testando todos os lares previamente, tal e qual fizeram as autarquias de Vizela ou Vila Nova de Gaia, por exemplo. “Podemos ter gente assintomática e, de um momento para o outro, uma pessoa que não evidencia sintomas do vírus causar uma propagação gigante”, explicou.

Na resposta, Domingos Bragança garantiu que a Câmara está a realizar “milhares de testes” na Unidade de Rastreio montada no Multiusos. “Os testes estão a ser feitos. Esta proposta é de adição. Não tivemos os problemas que outros [municípios] tiveram nos lares. Tivemos sempre uma coordenação muito grande com as IPSS”, assegurou. O autarca garantiu igualmente que atualmente a disponibilidade de testes é “muito maior” do que há 15 dias. “No primeiro momento era muito difícil ter testes. As prioridades eram definidas pela autoridade de saúde”, explicou.

A justificação chegou também por parte da vice-presidente do município, Adelina Paula Pinto, depois da reunião, em declarações aos jornalistas. “Até à semana passada não havia testes. Desde a semana passada semana devem ter triplicado os testes. Com este protocolo vamos acrescentar mais testes”, explicou. “Temos agora todas as condições para desenhar um plano com Administração Regional de Saúde, ACES Alto Ave, Segurança Social e Hospital”, garantiu.

A situação nos lares de Guimarães

Na totalidade, em Guimarães, registaram-se dois mortos com covid-19, tendo um ocorrido no Lar de S. Francisco, e outro em Abação, confirmou Adelina Paula Pinto. Já Domingos Bragança garantiu que todos os trabalhadores e utentes do Lar de S. Francisco foram testados. No total, foram realizados 250 testes e foram detetados “meia dúzia de infetados” no Lar de S. Francisco, revelou a vereadora. “Nos lares os planos de contingência foram funcionais e eficientes e permitiram que não houvesse uma propagação tao rápida”, assegurou.

Entre esta segunda e terça-feira serão também realizados testes no CliHotel – Lar e Residência Sénior, onde foram detetados dois casos. “Os infetados estão isolados. Agora é testar e depois separar”, explicou a vereadora.

De acordo com Adelina Paula Pinto, a maior preocupação surge com os funcionários de lares e de serviços de apoio domiciliário, nos quais já houve casos positivos. “Testamos, por exemplo, uma equipa espelho, porque o pai de uma funcionária estava com covid-19. Num serviço de apoio domiciliário uma funcionária testou positivo e testamos todos os utentes domiciliários. Deram todos negativos. Agora as equipas vão ter de ser testadas com muita assiduidade”, apontou.

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