Um adulto na sala

Ter militantes ambiciosos e com vontade de dar futuro ao PS Guimarães não me preocupa nada. Mas ter três candidatos para a liderança do partido, determina que a nossa escolha seja certa e assertiva.

© Amadeu Portilha

Corria o ano de 1984, com 18 anos e recém-entrado na Universidade, quando decidi, como muitos jovens de então, aderir à militância cívica e política, emprestando a minha juventude, irreverência e vontade de mudar o mundo à Juventude Socialista de Guimarães.

Com António Fernandes da Silva, primeiro Secretário-Coordenador da JS Guimarães, a juventude passou a ser ouvida, ganhou preponderância e notoriedade no seio do partido e, nas eleições autárquicas de 1985, que António Magalhães perdeu para António Xavier por pouco mais de 100 votos, iniciei uma longa carreira política, que teve o seu epílogo em 2017.

Fui de tudo um pouco. De deputado municipal a adjunto e Vereador de António Magalhães, culminando com a Vice-Presidência no primeiro mandato de Domingos Bragança. No partido, para além de Secretário-Coordenador da JS, em 1986, fiz parte de diversos Secretariados e Comissões Políticas locais, distritais e nacionais.

Carrego em mim uma parte importante da memória do meu partido nos últimos 40 anos e tenho o maior orgulho nisso.

Envolvi-me na militância política por forte convicção, num tempo em que a adesão a um partido se fazia de espontaneidade e responsabilidade, com profundo sentido cívico e de envolvimento com os princípios e valores que definiam a matriz de cada partido. No PS via, como hoje ainda vejo, a resposta ideológica a um mundo em transformação vertiginosa, de onde chegam sinais de profunda preocupação para quem acredita no humanismo, na solidariedade e na liberdade.

Ser militante implicava lealdade ao partido e envolvimento nas causas.

Hoje, quando assisto ao recrutamento massivo de militantes, embora procure entender (com muita dificuldade, confesso) as razões que lhe subjazem, vislumbro nele sinais preocupantes de definhamento da vida partidária. A lógica do “rebanho” inquieta-me. A proliferação de novos “pastores”, providenciais e vazios de tudo, assusta-me.

Um partido não pode ficar refém de ninguém. Muito menos de neo-militantes que aproveitam o seu estatuto e recursos públicos que lhe colocam nas mãos para subir no elevador social que os conduza ao destino das suas ambições pessoais. Alguns deles trocando de partido e de referências políticas como se de uma camisa nova se tratasse, reclamando agora, e para si, uma legitimidade e um legado que não têm, nem podem vir a ter.

Quando, em 2017, decidi abandonar o ativismo e a intervenção política, pressenti que essa decisão podia ser definitiva. Porque entro em tudo de corpo inteiro, e procuro sair da mesma forma.

Com o passar dos anos, senti o conforto de estar fora dos holofotes da exposição pública, e dediquei-me integralmente à minha carreira profissional, à família e aos amigos, nunca mais participando em qualquer movimento, fação ou grupo de interesses dentro do meu partido. Não me envolvi em nada, nem com ninguém. Até hoje.

O resultado das últimas eleições legislativas e as eleições internas que se aproximam no PS Guimarães, inquietam-me de tal forma, que não posso ficar indiferente, novamente batendo forte no meu peito o espírito de luta e de combate que marcou toda a minha vida.

Regresso ao ativismo político porque no PS Guimarães cresce a dissensão, a divisão e o sectarismo, o lado lunar de lideranças políticas titubeantes e frágeis, que exigem ser revertidas.

O PS de Guimarães sempre foi um partido forte e unido. Com sensibilidades saudavelmente diferentes, mas onde a lealdade e o sentido de responsabilidade eram profundos.

Ter militantes ambiciosos e com vontade de dar futuro ao PS Guimarães não me preocupa nada. Mas ter três candidatos para a liderança do partido, determina que a nossa escolha seja certa e assertiva.

A minha escolha está feita. Apoio Ricardo Costa.

Porque o conheço bem. Porque sei da energia e da competência que possui, que testemunhei quando foi meu colega da Vereação. Porque, nunca escondendo a sua legítima ambição de liderar o partido, lutou muito para o conseguir, utilizando apenas a sua vontade, as suas ideias e o seu trabalho. E porque, numa casa em desordem, tem demonstrado ser o único adulto na sala, corporizando uma candidatura e uma liderança que não está refém de ninguém e que não se entrega ao mediatismo bacoco.

Neste regresso ao ativismo político apenas levo comigo a vontade de ajudar, algumas ideias e o entusiasmo que coloco nas coisas. Em troca, e o Ricardo Costa sabe disso, apenas peço que juntos lutemos por um partido que honre a sua história e a sua memória, com militantes e vimaranenses que mais não aspirem do que servir a sua comunidade e trabalhar em prol dela.

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