UM ESPAÇO LIVRE E “SEM PAPÁS” ATÉ VER

César Machado
Advogado

O jornal Mais Guimarães alcançou na passada semana a bonita marca das 200 edições. Coube-me escrever a primeira crónica no seu segundo número, a 13 de Outubro de 2015. De então para cá muita coisa mudou. Mas não o essencial.
“Como se prenunciava naquele primeiro texto, “O caminho vem pela frente e a experiência está por fazer. Como lembrava Marco Aurélio, A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram. Estes romanos foram sempre muito práticos! Muito pragmáticos! Sem experiência, as feridas virão certamente –não há como não virem- mas não vieram ainda. E surgirão consoante as curvas da estrada. O que é novo aqui é o caminho a iniciar, o fazer de novo, “aquele haver viagem”, de que falava Baptista Bastos.”
Na verdade, o caminho anterior, quer na escrita em jornais como “O Povo de Guimarães” e “Notícias de Guimarães”, quer a intervenção conhecida na vida pública de Guimarães em variadíssimas áreas, sem conhecer a experiência da vergonha –para mim ou para os meus-, criou experiência auxiliar e preciosa na resistência às tais “armas”, que evidentemente tinham de surgir –e surgiram- mas nunca de dentro do jornal. O espaço que me foi colocado ao dispor para escrever, foi sempre um sítio de liberdade, e os limites foram sempre, e apenas, os da minha consciência cívica.
Foi isso mesmo que se quis traduzir ao escrever “Não me foi colocada qualquer incumbência de representação de alguém que não seja eu mesmo. E não me foi dito em momento nenhum que devo deixar de pensar pela minha própria cabeça. Não me deram qualquer missão que não seja escrever umas impressões que serão as de um cidadão, que tem as suas convicções –bem públicas- e que não tenciona deixar de dar uso ao cérebro ou ofender o de quem o lê. Dito isto, se falhar a culpa é minha. Não há desculpa. Os termos em que o projecto jornalístico assenta foram expostos no número antecedente, o inicial. O jornal disse ao que vinha. É nesse chão que cabe ajudar a fazer crescer uma nova publicação na minha terra, que aborde os seus temas sem esquecer que “há mais mundo”. Participar desse caminho é uma honra e uma resposta a um convite que agradeço aqui e agora.”
So far so good, diria um inglês. Até aqui tem sido uma grande prazer e uma grande honra participar deste projecto, contribuir humildemente com o que sei e posso para que o espaço de opinião neste jornal seja diverso, genuíno e autêntico, “sem papás”. Evidentemente que, não havendo censura prévia não significa que a não haja posteriormente, fora de casa, nos boletins oficiais das “opiniões que contam, em que “ contam as que lá estão”. Mas isso são outros quinhentos. Se alguns pequenos poderes fácticos de que é feito “o poder” se dão mal com textos do Mais Guimarães, deste autor ou de outros, é sinal que o jornal está a cumprir bem o seu papel.
Dizia o grande Manuel da Fonseca, “a censura é uma coisa tão burra, já viu? E põem ali pessoas tão tristes, parecem escolhidos a dedo, feios, mal amanhados, de mal com a vida, figuras ridículas, no fundo lá terão a sua razão para viver recalcados, acontece, a vida não lhes sorriu… gente de não se levar a sério, compreende?” – Compreendo!
Parabéns “Mais Guimarães”. Que venham outros 200, “livres e sem papás”.

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