Uma experiência “exigente e enriquecedora”

“Se a Volta, em condições normais, já é um enorme desafio, organizá-la num reduzido espaço de tempo e em contexto de Covid-19, ainda mais”. José Luís Ribeiro, presidente da ACM, integrou a direção de uma das voltas mais desafiantes da história. Devido à pandemia, só em meados de julho é que a decisão de realizar a prova foi tomada, correspondendo ao sentimento geral da comunidade velocipédica, mas também “com o intuito de acautelar a sobrevivência do pelotão profissional”, refere o vimaranense.

José Luís Ribeiro ficou “surpreendido” com o convite para integrar a direção, num contexto ainda mais exigente, “pela necessidade de cumprir rigorosamente o plano médico-sanitário, pelos constrangimentos financeiros e pelo pouco tempo para planear”.

“Tivemos momentos muito complicados em que pareciam intransponíveis os obstáculos que nos foram colocando. Esta foi mesmo a volta da resiliência. Foi uma experiência extraordinária, exigente, enriquecedora, desgastante e muito emotiva, mas com um contexto”, explica, à Mais Guimarães.

Uma volta repleta de emoções

Participar num desafio desta magnitude tem tanto de exigente como de emotivo. À Mais Guimarães, José Luís relata momentos que irão certamente perdurar na sua memória, como a subida à Torre de um atleta paralímpico: “Terá sido o que mais me marcou e comoveu. A Volta é por natureza um evento feliz e emocionante, especialmente esta edição ‘especial’, mas … a volta é um evento dinâmico e cheio de surpresas. O Telmo Pinão é um atleta
paralímpico que apenas tem uma perna mas que tem uma alegria, uma força de viver e uma capacidade de superação indescritíveis. Na madrugada da etapa da Torre alteramos os planos e decidimos que seria eu a acompanhar o Telmo numa subida cronometrada antes do pelotão. De manhã fui ter com ele à Covilhã para o acompanhar na escalada, após uma participação no programa ‘Há Volta’ que prosseguiria de tarde já com a subida feita e o resultado registado. Eu tinha que apoiar o Telmo e, ao mesmo tempo, conduzir um carro, ‘regular’ o trânsito e ainda fazer gravações vídeo para ceder à RTP. Achava eu que seriam muitas tarefas até que perguntei ao Telmo se estava preparado para a subida e ele me respondeu: «Não te preocupes. Faço isto com uma perna às costas». Perante esta resposta e a determinação do Telmo, nem o imenso frio nem a chuva no alto da Torre abalaram. E fizeram, claro, refletir. Com as imagens vídeo acabamos por produzir para a FPC um vídeo que é até hoje o mais visto da Volta a Portugal”, recorda.

Peripécias para recordar

O plano médico-sanitário implementado na Volta a Portugal obrigou José Luís Ribeiro a dormir, durante três noites, a apenas dois quilómetros da sua residência. Já na chegada à Senhora da Graça, um convidado atrasou-se e chegou ao centro de Mondim de Basto já com o pelotão a iniciar a subida, inviabilizando a sua participação no pódio para entregar uma camisola de liderança. O carro do convidado não podia integrar o pelotão nem o senhor podia entrar num carro da caravana porque não tinha teste Covid-19. “Em poucos minutos fizemos chegar ao pé do convidado um motard que o conduziu ao cimo a tempo da cerimónia de pódio naquela que nos disse ter sido uma experiência inesquecível”.

Superámos as expetativas

O presidente da ACM exerceu funções nas áreas da comunicação e do protocolo, assumindo a definição e implementação de estratégias e planos de ação, articulação os órgãos de comunicação social, produção de conteúdos, cerimónias protocolares, relacionamentos instituições, etc. “Assumimos como objetivos colocar a Volta e o ciclismo na agenda do dia, conferir visibilidade às equipas/atletas e às localidades/parceiros, corresponder à necessidade informativa dos adeptos, captar novos públicos e reforçar uma imagem positiva da FPC e do ciclismo. Acreditamos que conseguimos, mas ainda estamos a analisar os resultados. Superámos as expetativas em termos de presença na comunicação social e alcance nas redes sociais e até as audiências da RTP surpreenderam. Foi um esforço diário que permitiu alcançar resultados muito bons, graças a uma equipa fantástica que se dedicou de corpo e alma à produção de conteúdos (texto, fotos e vídeos) e à gestão das relações com a comunicação social”.

Regresso à volta depende de muitos fatores

Comprovar a envolvência e a dimensão de uma prova como a Volta a Portugal, é aliciante, mas, José Luís Ribeiro não confirma que irá participar em futuras edições. “Depende de muitos fatores e daquilo que vier a decidir quanto ao meu futuro na modalidade”, refere o dirigente, que garante que, neste momento, apenas é certo que deixará a presidência da ACM, que não voltará a ser árbitro e não pensa em treinar nenhuma equipa. “Manterei certamente uma ligação à modalidade e, em última instância, regressarei a uma condição da qual tenho saudades: adepto. Veremos o que nos reserva o futuro”, conclui José Luís.

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