Vagar: “Uma ideia de ter vagar, ver com vagar, ler com vagar”

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) recebe, esta tarde, Vagar, uma jornada que é, diz Marta Mestre, curadora, “uma série de eventos a acontecer, um evento de eventos“.

© Mais Guimarães

Vagar é uma jornada que reúne pessoas, desde editores, gente que faz livros, gente que faz discos, coletivos, independentes, artistas gráficos a associações, muitas delas de Guimarães. “É uma rede de empatias”, destaca Marta Mestre.

Trata-se de uma feira de publicações que gere as relações entre os livros, a música, e todo o museu. A paisagem do museu “é um elemento também fundamental nessa rede de empatias”, frisa a curadora do CIAJG. “Estamos a falar de publicações feitas, muitas vezes, a contramão do consumo cultural acelerado, e daí o nome. É uma ideia de ter vagar, ver com vagar, ler com vagar”. Algo que considera, por isso, “muito diferente do consumo cultural a que estamos habituados e que muitas vezes nos faz dar apenas certos cliques”.

Para além da feira de publicações e edições, o CIAJG irá lançar a sua linha editorial e o primeiro catálogo de uma série de catálogos. Este primeiro será sobre o Colosso, “o nosso célebre personagem, essa estátua que está na entrada de Guimarães que passa despercebida para a maioria das pessoas, mas que motivou uma exposição com artistas contemporâneos”.

O dia termina com a banda Unsafe Space Garden, que lançou um álbum há pouco tempo, e que tem sido “muito aclamado pela crítica”, relembra Marta Mestre. “Têm um repertório musical, um modo de atuar, que achamos que pode dialogar muito bem com este espaço de espírito irreverente, indisciplinado e, ao mesmo tempo, ficcional que o CIAJG trabalha em torno da do livro, da música, das artes gráficas e também de todo este património e acervo que guarda”, realça.

Marta Mestre acredita que CIAJG se está a abrir “a um tipo de uso que vai para além das exposições e que tem a ver com dar outra vida e tentar criar esses elos”. Dá ênfase, por isso aos momentos de encontro com o público que é “necessariamente especializado em artes, mas é um público que gosta de estar a par do que está a acontecer e estar a par daquela da criação mais jovem, da criação alternativa, independente”.

Este evento é, assim, “um vagar irreverente, indisciplinado, e, de certa maneira, procura trazer esse espírito para dentro do museu, desarrumar um pouco a casa, colocá-la de uma outra maneira e, nesse sentido, permitir outro tipo de encontros”.

10 anos de CIAJG: Promover uma maior aproximação entre o espaço e a cidade e o espaço e outros públicos

Em 2022 o CIAJG comemora 10 anos e a curadora deste lugar que considera “muito particular” perspetiva “um programa que possa refletir aquilo que desejamos enquanto espaço importante numa dimensão local, nacional e internacional”.

“O que é que nós gostaríamos que ele pudesse dizer às pessoas de Guimarães e de fora de Guimarães?”, questiona Marta Mestre. “Vamos ter um programa que eu penso que vai suscitar interesse e vai trazer públicos de outros quadrantes. Tentar promover uma maior aproximação entre o espaço e a cidade e o espaço e outros públicos”, afirma.

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