VALORIZAR O CAMINHO DE TORRES PARA MELHORAR A EXPERIÊNCIA DOS PEREGRINOS

Este sábado, a Junta de Freguesia de Urgezes foi palco de uma sessão de sensibilização para a importância do Caminho de Torres, um dos quatro caminhos portugueses de Santiago.

©  Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães

A Junta de Freguesia de Urgezes foi, na manhã deste sábado, palco de uma ação de sensibilização para a valorização cultural e turística do Caminho de Torres, que liga Salamanca a Santiago de Compostela, passando por várias cidades portuguesas, como Guimarães. Este é um dos quatro Caminhos de Santiago nacionais, juntando-se ao Caminho Central Português, Caminho da Costa e Caminho Português do Interior. Em Guimarães, o Caminho de Torres atravessa as freguesias de Serzedo, Calvos, Gémeos, Abação, Pinheiro e Urgezes até chegar à cidade de Guimarães.

Paulo Fernandes, responsável científico pela definição do trajeto, sensibilizou a comunidade para a importância deste caminho e para as alterações que têm vindo a ser feitas para melhorar a experiência dos peregrinos e potenciar este recurso. Na sessão, o responsável apresentou o projeto “Caminhos de Santiago – Caminho de Torres”, que é promovido pelas Comunidades Intermunicipais do Alto Minho, Ave, Cávado, Douro e Tãmega e Sousa e co-financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte (Norte 2020), ao abrigo das Ações do Património Cultural.

O projeto tem como objetivo dotar o Caminho de Torres de valências próprias de apoio aos peregrinos. Além disso, pretende sensibilizar vários agentes públicos e privados que atuam nas áreas ao longo do itinerário para o potencial cultural, turístico e económico que este recurso representa.

Paulo Fernandes explicou que o projeto se encontra atualmente na segunda fase, a de qualificação no Caminho, que inclui uma série de intervenções nos cerca de 230 km do traçado do Caminho de Torres. “Queremos dotar o Caminho de equipamento de apoio ao peregrino e zonas de descanso”, adiantou. Numa primeira fase, realizou-se um estudo de diagnóstico e identificação do Caminho de Torres. A terceira fase passará por uma série de ações de promoção do caminho, através de um novo site, brochuras, t-shirts e, em maio, da realização de um congresso dedicado ao tema, que terá lugar em Amarante.

©  Direitos Reservados

“O crescimento dos caminhos portugueses fez com que se procurasse a valorização do caminho português”, explicou o responsável, relembrando que quase 90% dos peregrinos que fazem o caminho português são estrangeiros. “Não há ainda uma entidade gestora dos caminhos de Santiago em Portugal. É uma área que carece de regulação certificação e carinho por parte de várias entidades”, lamentou o também relator da proposta para a inclusão dos Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela na lista indicativa de Património Mundial,

Este projeto representa igualmente uma oportunidade de sinalizar da melhor forma o Caminho. “Excetuando o Centro Histórico de Guimarães, vamos alterar a sinalética em todo o caminho, usando um material reciclável e resistente ao fogo”, explicou Paulo Fernandes.

Em relação ao percurso do caminho que atravessa Guimarães, foram realizadas alterações “pouco significativas”, segundo Paulo Fernandes. “O Caminho de Torres original seguia pela antiga linha férrea, o que representa duas grandes dificuldades: não era um caminho histórico e está transformado em ciclovia, o que pode causar problemas por causa do “confronto” com os peregrinos”, explicou.  Assim, foi identificada outra variante, em São Cristóvão de Abação. “É um ajuste curto que permite que o caminho não saia de Guimarães e é uma variante mais segura e histórica, pois termina na Fonte Santa” justificou.

Atualmente, o Caminho Português de Santiago é o segundo mais percorrido para chegar a Santiago de Compostela. Em 2018, chegaram a esta cidade mais de 81 mil peregrinos que iniciaram o seu trajeto em Portugal, de um total de 327 mil peregrinos.

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