Vimaranenses vão atravessar África: 40 dias, sem vistos e com espírito de aventura
Um grupo de seis aventureiros vimaranenses partiu na manhã desta sexta-feira, 27 de março, numa exigente travessia africana em jipes, numa viagem de cerca de 40 dias que cruza vários países até ao destino final: a cidade da Beira, em Moçambique. A expedição, liderada por Júlio Mota, combina espírito de descoberta, interesse histórico e uma boa dose de improviso.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
Um dos participantes, Vítor Vilaça, explica que esta viagem surge na sequência de uma tentativa falhada no ano anterior, interrompida por uma avaria mecânica na Mauritânia. “Era um projeto ambicioso, mas quem quis ir voltou a mostrar vontade. E cá vamos nós outra vez”, refere.
A nova partida carrega também uma dimensão emocional. O grupo recorda um companheiro que integrou a primeira tentativa, José Augusto, que faleceu há cerca de um ano. “Ficou muito entusiasmado com a viagem que fez connosco. É uma grande pena”, lamenta Vilaça. Agora, a filha de José Augusto decidiu juntar-se à aventura, numa homenagem ao pai. “Ela faz questão de ir, e vai mesmo”, sublinha.
O itinerário inclui vários locais de relevância histórica e natural. Entre eles está o forte de São Jorge da Mina, em Elmina (Gana), uma das mais importantes construções portuguesas na costa africana, inicialmente usada para armazenar ouro e marfim e posteriormente transformada num entreposto de escravos.
Outro ponto alto será a chamada Costa dos Esqueletos, conhecida pelos restos de navios naufragados e ossadas de animais ao longo da costa atlântica africana. O grupo planeia ainda visitar as Cataratas Vitória, um dos maiores espetáculos naturais do continente.
Improviso, riscos e desafios
A preparação da expedição foi relativamente simples, com o maior esforço concentrado na definição do percurso. No entanto, os desafios esperados são significativos, sobretudo nas fronteiras africanas. Sem vistos previamente tratados, o grupo assume que poderá ter de recorrer a soluções informais para atravessar alguns países, nomeadamente “o suborno da polícia nas fronteiras”, avançam. Seguem sem vistos, por saberem “o risco de enviar passaportes. Vamos tentar resolver no terreno”, admite Vilaça.
Além disso, a possibilidade de avarias mecânicas faz parte do plano. “Se um jipe avariar, fica para trás. Se avariar o outro, regressamos de avião”, explica.
Uma equipa experiente e determinada
A comitiva é composta por seis elementos: Vítor Vilaça, Júlio Mota, Albano Matos, Carlos Ribeiro, Helena Martins “Cuca”, José Carneiro e José Fernandes.
Com idades a rondar os 70 anos, a motivação continua intacta. “A idade não conta quando há vontade”, afirma Vilaça, que ainda ambiciona realizar novas viagens de mota no futuro.
A expedição arrancou pelas seis da manhã, com espírito de aventura e consciência das dificuldades. Ao longo do percurso, os viajantes pretendem registar experiências, fotografias e relatos que poderão dar origem a um diário de viagem. Apesar das incertezas, uma coisa parece garantida: será uma jornada intensa, marcada por desafios, história e homenagem.





