João Lavadinho assinala 50 anos de fotografia com exposição em Guimarães

A cidade de Guimarães recebe, a partir deste sábado, 2 de maio, a exposição “50 anos de fotografia”, de João Lavadinho, uma mostra que reúne cerca de oito dezenas de imagens que atravessam meio século de trabalho do fotógrafo vimaranense. A inauguração decorre pelas 12h00, no piso 2 do Guimarãeshopping, e contará com a presença do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo. A iniciativa tem o apoio da Muralha - Associação de Guimarães para a Defesa do Património.

© Mais Guimarães

A exposição apresenta um percurso vasto e diversificado, que reflete a evolução de um autor que começou a fotografar de forma regular aos 12 anos, em 1976. Ao longo da sua carreira, João Lavadinho desenvolveu um olhar muito próprio sobre a realidade, registando cidades, com especial destaque para Guimarães, paisagens, ofícios e sobretudo pessoas, sempre com uma abordagem centrada na “beleza, serenidade e paz”, como o próprio descreve.

Apesar da ligação ao desporto automóvel, área onde também se notabilizou, João Lavadinho construiu uma carreira multifacetada. Trabalhou em publicidade com agências como a McCann Erickson e colaborou com diversas publicações e projetos editoriais ligados ao automobilismo e à fotografia desportiva.

A sua carreira internacional foi reconhecida ainda na década de 80. Em 1986, foi distinguido no concurso “The Good Life”, da Ballantine’s, onde obteve um Certificado de Excelência e o segundo lugar entre milhares de participantes de mais de uma centena de países. A fotografia premiada integrou o calendário mundial da marca.

Em 1991, foi selecionado pela KODAK Europa para a apresentação de novo material fotográfico, e em 1992 representou Portugal na obra internacional “The Art Photographer’s Book”. Ao longo dos anos, participou em exposições em Lisboa, Porto e Guimarães, com destaque para o Palácio Foz, Palácio da Bolsa e Pousada de Santa Marinha da Costa. As suas imagens foram ainda distinguidas em feiras internacionais em Milão e na Heimtextil, e o seu trabalho incluiu colaborações com nomes como o artista Cristóbal Gabarrón e a Fundação Luís Figo.

Uma seleção difícil e emocional

Em declarações ao Mais Guimarães, João Lavadinho reconhece que a preparação da exposição foi um processo exigente e profundamente emocional: “Esta exposição reflete um percurso muito longo na fotografia. Muito longo mesmo. Foi tão longo que foi extraordinariamente difícil escolher 80 imagens para a exposição, as melhores, e não me parece que tenha conseguido sequer. Foi extraordinariamente difícil”, reconhece o fotógrafo.

João Lavadinho explica que a exposição reflete não apenas um percurso profissional, mas também uma memória pessoal, e que algumas fotografias “contam a minha história e de muitos momentos relevantes, incluindo dos meus pais. Foi muito emocionante rever tudo isto.”

Entre as imagens expostas estão registos de diferentes fases da sua carreira, desde trabalhos mais técnicos até fotografias de forte carga documental e pessoal.

João Lavadinho lembra que o gosto pela fotografia nasceu de forma natural, influenciado pelo ambiente familiar, sobretudo pelo pai, também apaixonado pela imagem.

O percurso profissional começou no final da década de 70, com a criação da Fotospeed, em 1978, e mais tarde com a Sprint Racing Pictures, projeto ligado à fotografia e vídeo de competição automóvel. Ao longo dos anos, colaborou com revistas como AutoMundo, Autosport, Motor, GT e Racing Magazine, entre outras publicações especializadas.

Paralelamente, também desenvolveu trabalho no desporto, nomeadamente no andebol, tendo sido guarda-redes do Xico Andebol, a quem pretende doar o espólio, experiência que complementou a sua ligação à fotografia desportiva.

A fotografia num mundo em transformação

Questionado sobre a evolução da fotografia e o impacto das câmaras nos telemóveis, João Lavadinho reconhece a mudança profunda no setor, mas sublinha a diferença entre o olhar profissional e o amador: “Toda a gente pode fotografar. Mas há uma diferença entre ser profissional e amador. O profissional garante disponibilidade e qualidade.”

Ainda assim, admite que a tecnologia alterou o panorama da imagem: “Os telemóveis têm hoje uma qualidade impressionante. Em alguns casos, até superior a máquinas fotográficas. Mas a fotografia profissional continua a exigir outro nível de rigor.”

A mostra “50 anos de fotografia” de João Lavadinho, permanecerá no Guimarãeshopping até 24 de maio, seguindo depois para a Pousada de Santa Marinha, onde ficará patente entre 2 de julho e 31 de agosto.

João Lavadinho espera que o público visite a exposição e revisite o seu percurso: “Espero que as pessoas venham conhecer este trabalho. São 50 anos de fotografia reunidos num só espaço.”

A exposição constitui assim um retrato amplo de uma carreira longa marcada pela persistência, pela evolução técnica e por uma ligação profunda à imagem e ao território.

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