A REDE VIÁRIA E AS NOVE VILAS DO CONCELHO

por José da Silva Mendes

Ex. Bancário no Porto, na sucursal do Banco Pinto e Sotto Mayor

Dos argumentos que serviram para a elevação das oito Freguesias a Vilas, seja-me permitido referir que tenha merecido particular destaque a questão da densidade populacional, o que me parece certo. Mas se foi justo e oportuno o entusiasmo que tal gerou na classe política de então e na comunidade em geral, depressa ficou esquecida a necessidade de todo um trabalho complementar que se impunha e que seria o de elaborar o projeto de uma cintura exterior à cidade. Era exactamente esse o projeto que o antigo Presidente da Câmara Municipal, Dr. Benardino Abreu, estava a preparar por volta do ano de 1973, no sentido de ligar as Vilas das Taipas e Vizela e ainda Pevidém e S. Torcato.

Passados que estão já 45 anos, dos seis presidentes de Câmara que lhe sucederam nenhum, lamentavelmente, teve similar visão daquilo que é o espaço do nosso território acabando-se de uma vez por todas com o martírio que diariamente é vivido pelas populações para entrarem ou saírem da cidade, com todos os prejuízos que dai resultam para o comércio e indústria locais. Entretanto, a actual Câmara Municipal resolve avançar com diferente decisão, ao dar destaque à construção das Ecovias, cuja prioridade consideramos ser muito discutível, com uma extensão de 9,3 quilómetros, depois de ter sido aprovada a adjudicação da realização da obra no valor de 2.361.921,28 euros.

Depois de «neutralizada a continuação da variante da Cruz d’Argola até à Estação dos Caminhos de Ferro, em sua substituição, o Senhor Presidente da Câmara Municipal, anuncia agora que o fechamento da circular urbana, cujo início parte da Academia de Ginástica e fará o percurso até Urgeses, seguindo pela encosta da Freguesia da Costa, ligando cm o nó da autoestrada. Ficamos entretanto expectante para ver qual vai ser a utilidade dessa variante, cujo trajeto não resolve o acesso à cidade para quem vem dos lados de Lordelo-Moreira de Cónegos e Nespereira.

Também temos vindo a notar que a Avenida D. João IV não se liberta do excesso de trânsito que por ali é obrigado a passar. Diversos outros projetos têm vindo a ser anunciados, alguns deles com demasiada demora na sua execução, como acontece com o desnivelamento do nó de Silvares e dos acessos do AveParK à autoestrada e ainda as obras do Teatro Jordão, que uma vez mais voltam à estaca zero, por ter sido anulado o respectivo concurso.

Por altura do Euro 2004, a Câmara Municipal colocou dois grandes painéis publicitários, um deles em Azurém e um outro na Rua do Souto e Minotes-Fermentões, anunciando a abertura de uma estrada e, pelo que sabemos, foram pagos os respectivos terrenos aos seus proprietários que os mantém em sua posse, quando estão já decorridos cerca de 14 anos, sem que se saiba qual vai ser a solução final.

Muito recentemente, o governo anunciou a criação da loja do Cidadão para Vila Nova de Famalicão e Guimarães. Estamos já no mês de Maio e a nossa Câmara Municipal ainda não conseguiu as respectivas instalações, para que a Loja do Cidadão possa finalmente entrar em funcionamento.

Esperemos que esta demora não dê lugar à sua extinção, tal como aconteceu com a Escola de Enfermagem, criada que foi um ano depois da entrada em funcionamento da Escola de Viana do Castelo, que se perdeu por inércia do então Presidente da Câmara Municipal.

Em relação à Escola Superior de Hotelaria, recentemente criada, não se nota ainda qualquer tipo de obras nas suas futuras instalações, o que é para nós preocupante.

Ainda em relação às acessibilidades, achamos curioso desabafo e lamento do Senhor Presidente da Câmara, Dr. Domingos Bragança, quando neste mesmo jornal de 14 de Março nos diz: “Quem tem causado problemas de mobilidade em Guimarães é a menor atenção da IP “Infraestruturas de Portugal”. Assim sendo, o Senhor Presidente não encontra outros meios políticos para fazer valer os nossos direitos? A IP é um organismo público e não foi criado só para servir a Sede do Distrito, deve, isso sim, tratar os demais concelhos com equidade e segundo a importância económica que cada um representa para os cofres públicos. E os nossos deputados têm sido chamados para uma intervenção na Assembleia da República? E porque não?

Por último, seja-me permitido lembrar à Exma Câmara Municipal, para um olhar atento àquela estrada que parte de Mesão Frio até à Penha. É urgente fazer correções, acabando com algumas das suas curvas e mexer no seu alargamento com vista a facilitar a que o transporte de grande porte deixe de ter dificuldades sempre que se cruza com outros de igual dimensão.

 

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