AFONSO CRUZ

Nome completo: Afonso Cruz
Nascimento: Junho de 1971 Figueira da Foz, Portugal
Profissão: Escritor e Ilustrador

É um multi-task das artes por ser, sobretudo, um curioso. Quer perceber como funcionam as coisas que admira. Foi por isso que também quis aprender a fazer cerveja. Começou há muitos anos, quando ainda vivia num pequeno apartamento de Lisboa, e montou na casa de banho o seu “laboratório”. Leu num livro do século XVII que o fabrico da cerveja podia ser interpretado filosoficamente. Quis perceber porquê. Comprou o material e compreendeu: realmente o processo tem a ver com o Cristianismo porque há ali qualquer coisa que os monges viam como “milagroso” – que agora sabemos que é pura química – em que o cereal “podre” fermenta em contacto com o ar dando origem à cerveja, qual renascimento. Foi esta experiência, como tantas outras que pautam o seu percurso, que transpôs para a obra que publicou em 2012, “Jesus Cristo bebia cerveja”.

Estou a falar de Afonso Cruz, o primeiro dos autores a integrar a iniciativa “Escritor no Concelho”, integrada no Festival Literário Húmus, que durante um ano vai animar a agenda cultural vimaranense. Serve o evento para evocar os 100 anos da morte de Raul Brandão, poeta e escritor, que fez de Nespereira a sua casa no início do século passado. O escritor é também ilustrador, graças “ao computador”. Quando apresentava a exposição que preenche o hall da Biblioteca Municipal, em que pintou a sua interpretação de 33 escritores de língua portuguesa, confessou que se não fosse as novas tecnologias nunca teria sido ilustrador, porque estas permitem-lhe as indecisões de cor e de traço.

Vale a pena ver o seu olhar sobre estes autores que concebeu, em 2013, para o pavilhão português numa feira em Bogotá, Colômbia. A mãe tinha-lhe morrido uns dias antes e foi em apenas uma semana que ilustrou 27 dos 33 quadros.

Ao dirigir-se ao público e aos jornalistas faz soar que tudo na sua vida é fruto de casualidades que lhe despertam determinado tipo de interesse. Foi assim com a literatura, que surge na vida de Afonso Cruz quando este tinha “muito tempo livre”, na altura em que trabalhava numa empresa de publicidade. Dedicava-se a fazer textos publicitários e tinha um horário fixo. Com as horas que sobravam nesse expediente, investigava temas na Internet e é aí que começa a escrever as primeiras linhas de Enciclopédia da Estória Universal. Trata-se de uma obra cujo primeiro “volume” foi lançado em 2009, seguindo-se os subsequentes em 2012, 2013 e 2014.

Foi um dos 27 galardoados com um prémio que reconhece os melhores novos ou emergentes autores. Na literatura, Afonso Cruz estreou-se com o romance “A Carne de Deus”, em 2008. “Os livros que devoraram o meu pai” (2010) foi distinguido com o Prémio Literário Maria Rosa Colaço. O primeiro volume da “Enciclopédia da Estória Universal” valeu-lhe o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. Com a “Enciclopédia da Estória Universal – Arquivos de Dresner” (2013) conquistou o Prémio Autores para Melhor Livro de Ficção Narrativa.

Mas nem só de literatura e ilustração (estudou na Escola Secundária Artística António Arroio, “onde o amor pela arte é tudo e que nos faz acreditar que realmente podemos mudar o mundo”) vive Afonso Cruz. É também músico e realizador. Acrescente-se ainda pai de duas crianças e dono de uma pequena propriedade em Sousela (Alto Alentejo) onde faz o próprio azeite, pão e queijo.

Por: Catarina Castro Abreu

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