Ana Araújo

Nome completo:
Ana Rita Rodrigues Araújo

Data de nascimento:
10 de outubro de 1986

Naturalidade:
Sande São Martinho

Profissão:
Investigadora

Ana Rita Araújo é produto de uma das medidas implementadas após o 25 de abril que mais transformaria Portugal e os portugueses: a democratização do ensino. No ano de 1986, quando Ana nasceu, doutoraram-se, em Portugal, 216 pessoas, 146 eram homens, apenas 70 eram mulheres. Se nada tivesse mudado, a filha de uma costureira e de um serralheiro mecânico, de São Martinho de Sande, nunca chegaria à universidade e, de certeza que não teria oportunidade de investigar compostos capazes de ajudar no tratamento da doença de Alzheimer.

Felizmente, no meio da década de 80, passados dez anos sobre a queda do regime do Estado Novo e com a entrada na União Europeia (então CEE), Portugal já caminhava para se tornar em qualquer coisa diferente. Em 2015, quando Ana iniciou o doutoramento, concluíram esse grau 2.969 portugueses, as mulheres passaram a estar em maioria, 1.587, contra 1.382 homens. Um avanço enorme e Ana cumpriu com brilhantismo a sua parte no salto de uma geração.

Foi de boa aluna, na escola em São Martinho de Sande e mais tarde na Escola Básica das Taipas, passou a aluna mediana na Secundária de Caldas das Taipas. “A certa altura, surgiram outros interesses, gostava muito de jogar voleibol e ficava com menos tempo para estudar”, confessa. Quando andava na Escola Básica das Taipas, a professora de língua portuguesa escolhia algumas das suas crónicas para serem publicadas no jornal da escola e esse gosto pela escrita acabou por resultar num momento de indecisão.

“Andei um pouco perdida na altura de escolher, gostava muito de Química, mas também gostava de escrever”, recorda. Perdeu-se uma jurista e os seus pareceres bem redigidos, ganhou-se uma mulher de ciência.

O processo não foi óbvio. O laboratório de um professor, aberto aos melhores alunos, durante o primeiro ano de mestrado, “onde havia uma componente mais tecnológica”, foi a primeira porta de entrada na ciência. Este estímulo foi reforçado, no ano seguinte, quando foi para a Universidade de KAHO Sint Lieven, em Gent, na Bélgica. “A universidade tinha uma grande ligação à tecnologia, havia um forte ambiente de investigação”.

Contudo, depois dos cinco anos (licenciatura e mestrado), no ISEP, a engenheira química precisava de um emprego. Por feliz coincidência a 3B’s estava a recrutar naquela altura e foi selecionada. “Fiquei, desde o início, com os professores Rui Reis e Ricardo Pires, que acabaram por ser os meus orientadores no doutoramento”.

Usa com cuidado palavras como “fé, sorte” ou mesmo “coincidência”. Mas reconhece que em investigação “ainda se fazem coisas por puro experimentalismo e que isso pode levar a resultados surpreendentes”. Lembra, no entanto, que mesmo esse experimentalismo não é absolutamente espontâneo, “é resultado das muitas leituras que fazemos”.

Para concluir o doutoramento teve uma ajuda do Programa Doutoral e Tecnologia Avançada para a Saúde (Norte 2020) e do programa IACOBUS que lhe permitiu uma estadia na Universidade de Santiago de Compostela. É um estudo que resulta da investigação para a tese de doutoramento em Engenharia de Tecidos -Medicina Regenerativa e Células Estaminais, concluído em 2020, que lhe granjeou agora o prémio Jovem Biofísico 2021.

Esta investigação procura usar compostos naturais, presentes na cortiça, para controlar, eventualmente curar, a doença de Alzheimer. Estes compostos com base na cortiça tem a capacidade de remodelar as proteínas com potencial patogénico.

Nos tempos livres lê, dança no Grupo Folclórico da Universidade do Minho e toca viola Braguesa. “Agora danço e toco menos porque não nos podemos juntar”, lamenta. “Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, foi a última leitura e Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto, está na mesa de cabeceira.

©2021 MAIS GUIMARÃES - Super8

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