ALTERNATIVAS

Por Torcato Ribeiro,

Dirigente político do PCP

Quem acompanha e procura estar informado sobre a actualidade e assuntos de interesse local não estranhará a pretensão de concretizar uma estrutura alternativa viária que aproxime e reforce a ligação entre as cidades de Braga e de Guimarães. A Universidade do Minho, instalada e repartida entre Gualtar e Azurém, e o Avepark – Parque Tecnológico instalado em Barco, são equipamentos que reforçam e justificam a existência de uma maior e melhor mobilidade viária.

Nas ultimas jornadas parlamentares do PCP recentemente realizadas no distrito de Braga, para além das conclusões apontarem a necessidade de intervenção e investimento em diversas áreas como a saúde, o ensino, a agricultura, e a habitação, foi apresentado como factor de desenvolvimento regional a melhoria do transporte ferroviário no distrito, propondo para isso a concretização da ligação ferroviária entre Guimarães e Braga.

Dando seguimento ao acima descrito, esta semana, a deputada parlamentar do PCP, Carla Cruz esteve mais uma vez em Guimarães para numa conferência de imprensa, realizada na estação da CP informar que o grupo parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da Republica um Projecto de Resolução recomendando ao Governo o reforço do investimento ferroviário no distrito de Braga e a necessária execução duma ligação ferroviária directa entre Braga e Guimarães. A título de informação, neste momento a ligação de comboio entre estas duas cidades tem a duração de uma hora e trinta e dois minutos!

O actual mapa das linhas de caminhos-de-ferro é bastante revelador das muitas opções erradas de sucessivos governos na área dos transportes e da mobilidade. Aqui, no concelho de Guimarães, também sentimos o desinvestimento e as suas consequências imediatas: extinção da linha de comboio que ligava Guimarães a Fafe, um revés para a mobilidade sustentada, e a supressão do transporte ferroviário de mercadorias, numa região onde predominam as pequenas e micro empresas. O alargamento da via sem a sua duplicação foi a cereja em cima do bolo a confirmar a má vontade do investidor.

Uma aposta forte no aumento da oferta de vias rodoviárias em contraponto com o abandono a que tem sido votada a ferrovia, provocou maiores assimetrias no país tendo como consequências negativas mais notadas o aumento da dependência do uso do automóvel, -publico e privado – e a desertificação do nosso interior. Aumentamos as emissões de carbono para a atmosfera e o abandono das terras contribui também para o flagelo anual dos incêndios florestais.

Indiferente ao sistema circulante sobre carris adoptado, esta recomendação do PCP, traduz a vontade da população numa ligação alternativa bem menos poluente do que a que temos actualmente. Isto e os ganhos que este método de transporte oferece: mais segurança, comodidade e acessibilidade.

Recentemente foi apresentado em reunião de Câmara o Plano do Serviço Publico de Transporte Rodoviário de Passageiros de Guimarães que, segundo o executivo, entrará em vigor em Agosto de 2020. É um sinal positivo para os vimaranenses que há muito vinham reclamando a melhoria dos transportes públicos do concelho. Aguardamos com expectativa mais esclarecimento na sua apresentação pública que nos permita uma reflexão atenta sobre esta matéria tão importante para o nosso concelho.

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