AMADEU PORTILHA

A certa altura sai-lhe a frase que o caracteriza: “sou dominado por uma grande paixão por Guimarães e possuído pelo gosto de conceber e realizar projetos”. Articula com convicção inamovível e clareza quase imagética, sempre atravessadas pelo tempero persuasivo. Acredita que a política é território do domínio da ação sempre orientada para a decisão. E que esta, a decisão, para ter eficácia, pode e deve “desligar-se do gosto pessoal do político” para dar lugar à defesa do bem comum.

No seu historial consta a criação do Desportivo de Guimarães, da estruturação da Cooperativa Tempo Livre, da realização da Cidade Europeia do Desporto. Atualmente navega prospetiva a teia e trama da Capital Verde Europeia. Amadeu Portilha afirma que só assim, impondo dinâmica nas realizações, a vida faz sentido.

Aos 14 anos alguém roubou a sua mitra na primeira noite Nicolina. De madrugada confessou o infortúnio ao vizinho Zé Lingrinhas. Horas mais tarde alguém entregava a mitra na Rua Egas Moniz, onde nasceu e para onde o seu avô, profissional dos curtumes, se tinha mudado vindo da Corredoura para abrir uma loja de pelaria.

É aí, em pleno Centro Histórico, “com gente muito boa”, vivendo em comunidade, que Portilha forja a paixão pelas coisas da cidade. “Não tenho memórias de infelicidades”, afirma. Nem se recorda de qualquer estigma por residir na Rua Nova. Até que aparece a liderar a Juventude Socialista que cofundara um ano antes. Em 1983 afronta o Barroso da Fonte, vereador do PSD, promovendo um “desassossego cultural” que põe tudo em rebuliço. O desempenho escolar aponta-lhe o caminho e, em tempo de escassez universitária, apenas dois vimaranenses, ele e Ana Luisa Gomes Alves, entram no curso de Direito em Coimbra. Vai-se uma muito saborosa crónica desportiva que assina no Povo de Guimarães. Zé da Superior vai ser advogado. Por si teria preferido «História» mas o orgulho do pai, operário, e da mãe, doméstica, “completamente dedicados à vida aos dois filhos”, orientam-lhe a escolha.

Com Rui Vitor, Ivone Ribeiro, Paula Lemos Damião compõe um grupo. Fica na casa de um tio mas não se deixa encantar pelas cantigas do “basófias” Mondego. A vida é um intenso vaivém e, às quintas-feiras regressa. “É a Rádio Guimarães, é a «jota esse», é o Fermentões com o andebol, e é o amor pela Anabela”, tudo paixões que “puxam para Guimarães”.

No fim do terceiro ano já tem decido regressar a casa. Casa-se e vai trabalhar para uma empresa automóvel mas, logo a seguir, ocupa o lugar de diretor de informação da Rádio Santiago. Ambicioso em demasia, diz- -se. Amadeu sabe desta colagem mas não a compreende porque viu “muitos a passar por na lista de candidatos” sem se perceber porquê.

Chegou a vereador ao fim de 16 anos na Câmara, primeiro como assessor, depois como adjunto e finalmente como gestor. Quando ali entrou perguntou a Magalhães o que era esperado de si. A resposta foi lacónica: “Disseram-me que para ser um bom presidente tem de ser ter um bom assessor”. O caminho trilhado mostrou-lhe a sua vocação: gestor.

Descobre-o numa pós graduação que frequenta na Universidade do Porto onde é aceite pelo seu currículo profissional. Em Guimarães passa despercebido o facto de que é bastas vezes conferencista convidado por várias entidades europeias. “Estive em Riga, Torino e várias universidades explicando a nossa experiência do desporto em Guimarães.

Recentemente, no fim de uma palestra no Instituto Superior de Fafe foi abordado por alguns alunos: “você é a nossa inspiração”, disseram-lhe.

Por: Esser Jorge Silva

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