Ana Luísa Bastos

Nome completo:
Ana Luísa Portela Gonçalves Bastos

Ano de nascimento:
20 de agosto de 1968

Naturalidade:
Vermoim

Profissão:
Enfermeira Diretora do HSOG

Nasceu entre Guimarães e Famalicão, em Vermoim. O pai era enfermeiro, “num tempo em que o enfermeiro era um o último recurso para tudo”. Lembra-se de o pai estar sempre a ser chamado para acudir alguém, “a qualquer hora, inclusivamente a meio da noite.” Se essa exigência a podia ter afastado da profissão, não foi isso que aconteceu. O pai foi a sua grande referência, deve-se à sua influência a escolha profissional que fez. “Nunca quis ser outra coisa, desde que me lembro, sempre disse que queria ser enfermeira”, recorda.

O pai morreu há pouco mais de dois anos, com 84, por estes dias, ainda é uma recordação dolorosa.

Se não tivesse sido enfermeira, talvez tivesse sido arquitecta, ou designer de moda, algo que ligasse a criatividade e a criação. O jeito esteve lá sempre, mas foi um professor de Desenho, no Externato Delfim Ferreira, em Riba D’Ave, que lho estimulou. “Foi um professor que me marcou, não me limitava”. A criatividade revelava-se quando, com 15 ou 16 anos, comprava uma peça de tecido, fazia o corte e costurava ela própria uma saia nova para sair. “Não o fazia por necessidade, nunca me faltou nada, era por gosto”.

Saia nova, pronta para sair. Os pais sempre lhe deram muita liberdade que foi usando com responsabilidade. Tinha notas razoáveis. “Fui sempre cumprindo os objetivos e tive uma infância e juventude muito feliz”. Recorda a altura em que convenceu a mãe a comprar-lhe uma mota (o pai nunca foi verdadeiramente convencido), como um ganho de liberdade enorme.

Uma das coisas que mais gosta – que perdeu com a pandemia – é de viajar. “Viajamos duas vezes por ano, uma em família e outras com amigos”. A família mais próxima é constituída pelo marido, um engenheiro agrónomo de formação, gestor de profissão, com quem casou há 23 anos e os dois filhos, de 19 e 21 anos. Os rapazes puxaram ao pai, são estudantes de Engenharia Industrial.

Reforça incansavelmente que há uma diferença entre ser licenciado em Enfermagem e ser enfermeiro. Conjuga o verbo “cuidar” em várias formas para dizer o que é, no seu entender, ser enfermeiro. “É uma profissão muito exigente. O enfermeiro está presente do nascimento até à morte. Além do conhecimento técnico exige um lado humano”.

O lado técnico foi obtê-lo, primeiro na Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian, em Braga. O primeiro emprego, muito jovem, com 22 ou 23 anos, foi no IPO do Porto. Nunca gostou de morar no Porto, mas o que a fez sair foi uma noite particularmente negra, em que morreram três doentes no seu serviço.

No Hospital de Guimarães, começou pela Neonatologia. Um arranque provisório, a substituir uma colega que estava de licença. Apaixonou-se e ficou 14 anos. Acabou por tirar a especialidade de Pediatria. “Uma estavam cinco pares de gémeos internados na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais”. Decidiu fazer um estudo sobre as famílias, de Guimarães, com gémeos. O estudo deu origem à Associação Berço de Gémeos, que ajuda estas famílias.

Depois de entrar no concurso para enfermeira chefe foi parar a um serviço de adultos, mas admite que não era aquilo que gostava. Só se sentiu feliz quando voltou aos mais pequenos.

Esteve na instalação do primeiro hospital do Grupo Trofa Saúde, “um momento marcante de ver nascer um hospital desde o logotipo, passando pelos lençóis até ao edifício”. Nunca parou de estudar, quando o Hospital de Guimarães foi certificado, fez parte do Gabinete de Qualidade e fez uma pós-graduação em Auditoria e Qualidade em Saúde. É mestre em Direção dos Serviços de Saúde de Enfermagem.

Em 2018, foi convidada para ocupar o cargo de Enfermeira Diretora. “Já era um desafio enorme, porque a enfermagem é transversal a todos os serviços do Hospital, nem eu imaginava que teria que enfrentar uma pandemia”.

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