ANTÓNIO

Nome completo: António Silva
Nascimento: 20 de junho 2006
Guimarães, Portugal
Profissão: Estudante

O António gosta de nadar e, quando for grande – a pergunta da praxe que estranha e cuja resposta não tem na ponta da língua pela distância que há até ser adulto -, quer ser artista plástico. Nos tempos livres dedica-se aos trabalhos manuais, entre tintas, pinceis, lápis e papéis, e garante que liga pouco à Playstation, à televisão e ao tablet, que joga com o primo Nuno. O António prefere atividades físicas e passear em zonas históricas, como o Castelo de Guimarães, o seu sítio preferido na cidade. A disciplina atrai-o mas gostar, gostar é de Matemática. Diz-se bom de números.

O menino que está quase a contar a idade que tem pelos dedos das duas mãos conclui o quarto ano na escola de Santa Luzia, em Guimarães. Se tivesse de dar uma nota a si mesmo, num exercício de autoavaliação, classificar-se-ia como “Bom”. Confessa um pouco de ansiedade quanto à transição de escola: afinal no próximo ano o António vai para o quinto ano e em vez de uma professora vai ter nove. Tudo vai ser mais (disciplinas) e maior (não sabe qual será a sua nova escola mas com certeza terá uma dimensão diferente da que em que está agora). Se mandasse, este menino faria com que todos os seus amiguinhos, principalmente o João, nove anos, o acompanhassem nesta cruzada.

Esta é apenas uma das várias batalhas que o António foi tendo ao longo da sua vida. A principal começou quando tinha pouco mais de seis anos e tinha acabado de entrar no primeiro ano de escolaridade. O desequilíbrio ao subir uma escada, o agravamento galopante da visão e as dores nas costas denunciaram que algo não estava bem. Várias idas ao hospital, uma médica que suspeitou o pior, transporte urgente para o Pediátrico do São João, no Porto. O diagnóstico era realmente mau, tinha mesmo nome de vilão o tumor cerebral que lhe encontraram no cérebro (meduloblastoma).

Foi operado e ficou internado cerca de um ano e meio. Nem por isso deixou de frequentar a escola. Uma professora acompanhou-o durante todo o percurso, o que fez com que o António nunca perdesse um ano. Na altura, garante-me, apenas uma coisa o deixava triste: não poder brincar com os amigos. O caminho foi difícil mais para os pais do António do que propriamente para o menino cujo discurso encorajava os demais.

“Pedia aos meus pais e à minha família para terem calma e dizia-lhes que tudo ia melhorar”, lembra. O António é feito de simplicidade e não complica as coisas que lhe parecem, ainda hoje e já recuperado – apesar das mazelas com que ficou e que notamos após atenta análise –, fáceis. É genuíno, evolutivo, motivador. Numa batalha que era só sua engrandeceu todos num sofrimento difícil de superar. Com o seu amor regenerou a vida.”

Apesar de ter ficado sem andar de um momento para o outro, de se ter submetido a tratamentos tão agressivos como a quimioterapia e de ter andado durante vários meses de cadeira de rodas, o António não tem medo. Dentro de si, a certeza de que está tudo bem e que nada de mal vai voltar a acontecer. Para amanhã, Dia Mundial da Criança, António não pede um presente. Não quer nada, na verdade, porque é feliz com a vida que tem.

Por: Catarina Castro Abreu

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