AS QUESTÕES DOS ANIMAIS

Por Mariana Silva,
Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

Na semana passada o bem-estar animal fez parte dos temas em discussão na Assembleia da República. As questões dos animais estão cada vez mais presentes nas preocupações dos portugueses e sobretudo deverão estar entre as prioridades do poder local com o apoio do Estado até que se encontre o equilíbrio para a proteção e respeito pelos animais.

Sabemos que o caminho mais importante a fazer é a sensibilização para a causa animal e para um novo olhar sobre os animais domésticos.

A lei do fim do abate de animais saudáveis em centros de recolha oficiais trouxe uma nova dinâmica a estes espaços que se pretende que sejam de passagem para os animais recolhidos e que estes possam rapidamente ser adotados. Mas até na adoção é necessário ter cuidados que no passado não eram preocupação, é necessário que as pessoas sejam devidamente informadas sobre o que significa adotar um animal e as responsabilidades de se ter mais um membro na família. Tudo isto para evitar que voltem a ser abandonados e até mal tratados.

No entanto, a aplicação da nova lei não está a decorrer da melhor forma e algumas notícias, umas mais sensacionalistas do que outras, fazem-nos temer caminhos de retrocesso. E infelizmente, foi isso que vimos por parte do PSD e o CDS, ao revelarem arrependimento por terem votado a lei do fim do abate a animais saudáveis, uma lei promovida pelo PCP e que foi aprovada por unanimidade, lamentando agora aspetos da aplicação da lei e problemas que a mesma poderá estar a causar em determinados municípios. Esquecendo-se que a construção de uma lei justa e equilibrada, precisa de tempo, de apoio financeiro e sobretudo de sensibilização para a causa do bem-estar animal. O que sabemos é que mais de 40 anos de abate de animais saudáveis abandonados não resolveram a sobrepopulação dos animais errantes. A reversão dessa prática, em apenas 2 anos, tem aspetos que precisam de ser melhorados e adaptados. Os Verdes estão orgulhosos de terem contribuído para essa reversão, mesmo que se oiça já a voz dos Velhos de Restelo que, sem saber de experiência feito, quase que pedem que volte o abate de animais abandonados. Será que é isso que PSD e CDS querem? Em Guimarães a CDU esteve sempre presente nos debates sobre o CRO, sempre atenta às denúncias que felizmente pertencem ao passado e contribuímos para a construção do novo regulamento.

Não podemos deixar de lamentar que o aumento tão aguardado das instalações do CRO ainda não esteja concretizado, aguardando com expectativa para comprovar se a garantia dada na última assembleia municipal de que falta pouco até que as obras se iniciem é mesmo verdadeira. Não podemos deixar de lamentar que estas questões se arrastem no tempo e abram portas ao radicalismo, que muitas vezes serve apenas para descredibilizar o caminho que se está a percorrer. No presente, a política do bem-estar animal em Guimarães já devia estar num outro patamar, por exemplo, na concretização de espaços ao ar livre em que as matilhas de cães assilvestrados possam viver.

Em conjunto com as juntas de freguesia é possível promover o bem-estar de todos os animais domésticos que alguém abandonou à sua sorte, pensando (esperamos nós) que essa seria a melhor opção. Este não é um assunto menor e não podemos permitir o retrocesso. O respeito que tivermos pelos animais dirá muito sobre nós enquanto sociedade.

Artigo de opinião publicado na quarta-feira, 11 de março, no jornal Mais Guimarães.

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