CAOS ANUNCIADO

Por Rui Armindo Freitas

Da semana que passou é impossível não reflectirmos sobre o tema que a marcou, a crise energética. Ficou claro para todos, como, muitas vezes, o caos pode surgir quando menos se espera, se quem tem responsabilidades, for exímio a empurrar os problemas com a barriga. Na verdade tratou-se de um diferendo no sector privado, mas que pôs em causa as funções mais básicas do Estado e com sérios prejuízos para a economia nacional. Durante 3 dias, o país ficou em suspenso, tentando perceber, hora após hora, novos impactos que a greve dos motoristas de matérias perigosas teria na vida de todos nós. Começamos a aperceber-nos, hora após hora, que talvez, a nossa mobilidade nem fosse o mais importante, quando começaram a ser colocados em causa o bom funcionamento de sectores como a saúde. Mas se nós, simples cidadãos e contribuintes ficamos a conhecer uma realidade que nem sequer tínhamos ponderado, já o mesmo não é aceitável por parte do governo da nação. Não é aceitável, que um governo que recebe um pré-aviso de uma greve, desta natureza, no início do mês, que pode ter as consequências galopantes que esta teve, fique à espera para ver como ela se desenrolará. Não é aceitável que, um governo de um país permita por em causa, desde as funções mais básicas do Estado à sua imagem internacional, só porque quer “pagar para ver”, ou apenas porque desvalorizou ou nem perdeu tempo a ponderar o efeito que esta paralisação teria. É importante referir, que a mediação que o Governo levou a cabo, foi determinante para o levantar da greve, mas nunca podemos deixar de pensar que a mesma mediação que o Governo liderou com a greve em curso, com a economia nacional já paralisada parcialmente, ou pelo menos a fazer contas ao gasóleo que restava nos depósitos que ainda o tinham, o poderia ter feito num primeiro momento, sem nos ter feito a todos passar pelos prejuízos sociais e económicos, que nem imaginávamos na semana anterior, que iríamos experimentar. Chega a ser violento, assistir a um Primeiro Ministro querer “virar o bico ao prego” e querer fazer parecer que sai vitorioso com uma solução encontrada em 12 horas, quando essa solução deveria ter sido encontrada semanas antes. A isso chamar-se-ia governar. É violento ouvir um Primeiro Ministro falar em aproveitamento político por parte da oposição, quando aquilo que a oposição apontou foi o seu total desleixo e incúria que quase semeou o caos em Portugal, ainda mais depois de admitirem que serviços mínimos só contemplariam Lisboa e Porto. Aqui, não posso deixar de referir a intervenção aguda e pertinente do deputado vimaranense Emídio Guerreiro, para assinalar a necessidade de uma reacção urgente do Governo já que não tinha existido o que se esperava, governação. Esperemos todos que este episódio tenha servido, para os nossos governantes perceberem até onde vão as suas responsabilidades, já que sabemos que ilacções políticas são coisa que deles já não esperamos. Que este episódio sirva para clarificar a capacidade, ou ausência dela, de quem gere os nossos destinos.

Não podia deixar de referir, nesta primeira vez que escrevo desde que foi anunciado o novo tarifário do teleférico da Penha, uma nota de congratulação pela sua revisão. Já nesta coluna tinha chamado à atenção para a necessidade de se encarar o teleférico como um meio de transporte e não como “carrossel” de forma a aproximar o Toural do cume da nossa montanha. Por isso, assim como critiquei no passado, não podia deixar de elogiar, esperando, que agora sim, todos os vimaranenses se sintam ainda mais convidados a usufruir de uma das maiores riquezas naturais da região, a Montanha da Penha.

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