CAPELA MIGUEL

Nome completo: Fernando Manuel da Silva Capela Miguel
Nascimento: 21 de Agosto de 1954 Portimão, Portugal
Profissão: Professor e Gestor de Projeto

“Não importa onde nascemos mas as obras que fazemos”. É a frase que o ‘Sanchinho’, filho de D. Afonso Henriques, diz ao pai, quando este, numa crise de identidade, sofre por não saber onde nasceu. É o final de uma peça que o Bando do Gil, do qual Capela Miguel faz parte e é fundador, interpreta. Mas podia bem servir para falar deste homem do Teatro. Foi nascer ao Algarve porque o avô materno sonhava com um neto. Uma velha vendedora de rua vaticinou que a criança seria de sexo masculino e quando as dores de parto chegaram à mãe de Capela Miguel, “ala que se faz tarde” para o Algarve para cumprir o desiderato do avô. Foi chegar lá e dar à luz. Uns dias mais tarde voltou e ficou em Guimarães.

Foi nesta cidade que cresceu e aprendeu. Aqui “escolheu os seus mestres”, como o Santos Simões ou o Emídio Guerreiro, de quem bebeu conhecimento. Antes disso, nas férias grandes, quando estudava animação educativa e teatro para a infância, aos 22 anos, ainda foi a Paris aprender dança e teatro, em 1976. Define-se como um contador de histórias. É aí que entra o teatro, o sangue que lhe corre nas veias.

Foi um percurso de vida dedicado ao associativismo e movimentos culturais da cidade. Escritor e dramaturgo, na biografia publicada nos seus livros podemos ler um resumo quase estéril: “Fernando C. Miguel. Professor há 33 anos do Primeiro Ciclo Básico. Licenciado em Educação Comunitária e pós-graduado em Património Cultural e Turismo. Gestor e animador cultural. Colaborador da imprensa regional, foi diretor do semanário O Povo de Guimarães, durante quatro anos. Tem várias publicações editadas e foi dirigente de várias instituições da região de Guimarães”.

Olhar sempre crítico, nunca convencional. Não pretende despertar simpatias e conhecemo-lo pelo inconformismo, pelas frases incómodas que atira e que nos fazem pensar. Assim é Capela Miguel, que pegou no seu Bando do Gil, e dinamiza agora – como tantas vezes fez, multiplicar o teatro por pessoas normais que se transformam em atores extraordinários – um grupo de teatro em Nespereira. É lá que durante o mês de março evocam a vida e a obra de Raul Brandão.

Entre 05 e 06 de março haverá uma feira de época de 1900, período em que o escritor português, referência máxima no pensamento de Capela Miguel, viveu na freguesia vimaranense. No dia 12 março, há uma representação das peças “Avejão” e “O doido e a morte”. No dia 20 de março, as iniciativas prosseguem, desta vez viradas para a infância com a encenação de uma peça escrita por Raul Brandão e pela esposa, Angelina. O público-alvo são as crianças de Nespereira.

21 de março é dia mundial da Poesia e desperta a primavera. É dia de celebração e, por isso, o Bando do Gil segue para o Paço dos Duques, em que evocará os 250 anos de Bocage, os 100 nos de Vergílio Ferreira e os 150 anos de Raul Brandão.

Não pára Capela Miguel. Mente sempre fervilhante lá me faz lembrar os versos de Manuel Freire: “Não há machado que corte/ a raiz ao pensamento / não há morte para o vento /

não há morte. Se ao morrer o coração / morresse a luz que lhe é querida / sem razão seria a vida / sem razão. Nada apaga a luz que vive / num amor num pensamento / porque é livre como o vento / porque é livre.”

Por: Catarina Castro Abreu

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