CASTRO DO CAFÉ ÓSCAR

Nome completo: Manuel Ribeiro Castro
Nascimento: 26 de outubro de 1951, Guimarães
Profissão: Comerciante

O Sr. Castro é o homem do leme à frente de uma quase “instituição” vimaranense. O Café Óscar assinalou os 51 anos na semana passada, com uma festa organizada pela afilhada Tuna Afonsina (Tuna de Engenharia da Universidade do Minho), que juntou os amigos, no fundo, a família deste estabelecimento emblemático.

Manuel Ribeiro Castro é dono do Café Óscar desde 1 de maio de 1981. Foi-lhe vendido pela irmã e pelo cunhado, o professor de música, Óscar. O Sr. Castro explica que a data de aniversário do Café acontece a 25 de julho mas o estio não o convida a grandes festas. Gosta mais de comemorar a data nestes dias de novembro para poder servir castanhas e jeropiga à família do Café Óscar.

É também nesta altura que a Afonsina se dispõe a organizar a festa de aniversário. Este ano decidiram convidar as pessoas, pelo Facebook, através de um vídeo “muito simpático de que eu gostei muito”, afirma o Sr. Castro. No discurso de agradecimento da praxe, o comerciante esqueceu-se de mencionar este e outros factos porque, na hora da verdade, quer “dizer muito e digo muito pouco”. Referindo-se à Afonsina, recorda que “a tuna foi fundada em 1994 por uma boa parte dos frequentadores do café”. “O Óscar é padrinho da Afonsina e todos os anos deixam uma recordação com a assinatura de todos os velhinhos, o que é muito simpático”, remata.

Voltando às suas memórias que se confundem com as do Café Óscar. “Quando estava na guerra escrevia à minha irmã e ela dizia-me que gostava que eu viesse para o café”, conta. Esteve na Guiné, na Aldeia Formosa, entre 1973 e 1974, tendo regressado a Portugal meses depois do 25 de abril. “Fui dos últimos a sair da Guiné. Passei lá o 25 de abril mas não houve nada de especial. Soubemos que houve um golpe de Estado quando a guerra estava muito acesa. Depois as coisas começaram a acalmar. Vim embora passando uns meses, em outubro de 1974”, lembra.

Quando voltou fez a vontade à irmã, mas só esteve meio ano no Café “porque o professor Óscar era uma pessoa complexa”. Depois disso trabalhou em bordados e na Padaria Trinas como motorista. Tomou conta do Óscar em 1981. Trinta e quatro anos depois de muito trabalho ainda lá está e afirma sentir-se com força para continuar.

O Sr. Castro tem um quê de analista da urbe vimaranense. Afinal sente-lhe o pulso há vários anos durante os quais assistiu a transformações importantes da cidade. Fala com alguma tristeza da evolução do comércio tradicional em Guimarães, afetado, do seu ponto de vista, pela diminuição do poder de compra, grande oferta de estabelecimentos comerciais, inclusão de um shopping tão perto do Centro Histórico, deslocação do mercado municipal e pela falta de estacionamento.

Ao Sr. Castro identificamos-lhe vontades ambivalentes: se, por um lado, sente vontade em continuar no negócio, por outro lado, gostava de se aposentar contados que estão 47 anos de descontos. “Queria reformar-me logo que possível sem levar grande porrada”, diz.

Informa que gostava de fazer alguma coisa mas “não tão violenta”: “não tenho funcionários e estou cá das 7h00 às 24h00 todos os dias, menos ao domingo”. “Gostava de fazer algo para passar tempo, mexer nos carros, mudar calços e o óleo. Eu nasci para os ferros e para os fios. Quero reformar-me, descansar e se calhar entregar o café Óscar a alguém que amplie o serviço”.

Frequentado por pessoas de todos os quadrantes, “dos juízes ao carpinteiro”, o Sr. Castro gosta de conversar. E reconhece que, se calhar, isso lhe vai fazer falta um dia.

Por: Catarina Castro Abreu

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