CHEGA DE ARRUMADORES

por CARLOS VASCONCELOS
Advogado

Ao longo das últimas décadas, a cidade de Guimarães tem empreendido uma estratégia de desenvolvimento que passa pela sua afirmação enquanto destino cultural e turístico.

Ao objectivo estratégico da elevação do seu centro histórico a Património Cultural da Humanidade, seguiram-se as candidaturas vencedoras a Capital Europeia da Cultura e a Capital Europeia do Desporto.

Neste momento, encontra-se em marcha a candidatura a Capital Verde Europeia e a candidatura da Zona de Couros a Património Cultural da Humanidade começa a dar os primeiros passos.

Independentemente da discussão sobre o lugar que deveriam ter ocupado ou devem ocupar as referidas apostas na hierarquia das prioridades de desenvolvimento do concelho, é um facto que as apostas concretizadas e as apostas em curso constituem uma enorme valia do ponto de vista da afirmação de Guimarães na região envolvente, no país e na Europa.

Tais apostas têm sido acompanhadas de preocupações inerentes à criação de condições, designadamente em matéria de conforto, de organização e de segurança, para quem nos visita.

Uma dessas preocupações diz respeito ao ordenamento do estacionamento na cidade. Recordo-me das preocupações expressas pelo então Presidente de Câmara, Dr. António Magalhães, em 2012, no ano em que Guimarães foi Capital Europeia da Cultura no que diz respeito a esta matéria. Na ocasião, foram transmitidas orientações expressas à empresa Vitrus no sentido de ser “implacável” na fiscalização dos parcómetros. A consequência está à vista: o estacionamento está mais ordenado, com todas as vantagens daí decorrentes, mas também com as suas desvantagens: é cada vez mais difícil, em Guimarães, estacionar gratuitamente no espaço que é de todos, o espaço público.

Nos últimos tempos, tal desvantagem tem-se acentuado ainda mais, na medida em que, cada vez mais, os vimaranenses pagam a dobrar para estacionar no espaço público. Pagam o parcómetro e pagam aos arrumadores, que têm aumentado em Guimarães de forma exponencial e que começam a ser um problema para o qual é necessário olhar. Os cidadãos têm o direito de estacionar na via pública sem ser incomodados por aqueles que se apresentam como trabalhadores ou prestadores de serviços, mas que não foram contratados para esse efeito, e que, por vezes, quando não recebem o “salário”, produzem estragos nas viaturas, ou diretamente ou como consequência de assaltos ou tentativas de assalto. Acresce que, cada vez mais, os referidos trabalhadores ou prestadores de serviços revelam uma tendência para fazer anos várias vezes por ano e lembram-se disso sobretudo à noite, ocasião em que pedem, com muita convicção, àqueles que estacionam nas vias públicas, “uma prenda” que permita assinalar a aludida data memorável com a importância que a data merece. Ao que parece, são cada vez mais a oferecer “prendas” e as comemorações cada vez maiores.

Bem sei que a maior parte dos que visitam Guimarães só se apercebem deste problema ocasionalmente, mas seria importante que também olhássemos para quem está cá todos os dias.

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