CHICO RIBEIRO

Nome completo: Francisco da Cunha Oliveira Ribeiro
Nascimento: 09 de Outubro 1958 Guimarães, Portugal
Profissão: Empresário

Quando pressentiu que ia morrer, Emídio Guerreiro terá dito a Chico Ribeiro, homem que o acompanhou até ao fim, tendo sido seu secretário, espécie de filho adotivo: “Acabou-se o circo, fecha a porta”. Na passada quarta-feira, 10, as cortinas fecharam-se sobre o palco da vida do nicolino – para além de pai, recentemente avô e empresário – Chico Ribeiro. Ou, para muitos, “Chico Jesualdo”, nome de família que herdou do pai. A comunidade ligada às mais antigas festas estudantis de Portugal prestou-lhe as devidas homenagens e choraram a toque nicolino a morte de um “dos melhores pregoeiros de que há memória”.

Quem o atesta é José Maia, colega de Liceu e de Comissão de Festas Nicolinas 1977 (antes, tinha sido segundo-vogal de Festas da Comissão de Festas Nicolinas 1975 e tesoureiro da Comissão de Festas Nicolinas 1976), dizendo que “foi dos melhores pregoeiros de todos os tempos, pelo menos do que temos memória”. “Tinha a vantagem da idade e a voz colocada”, recorda, enquanto reconhece que “naquelas idades tem-se uma voz inconstante”. “Ele entregava-se de tal maneira ao papel que a emoção vinha ao de cima”, acrescenta. Nunca se desligou da tradição que lhe marcou a vida: foi membro da direção da Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães – Velhos Nicolinos de 2001 a 2008. Desde 2002, até à hora de morte, “como o mais reconhecido dos Velhos Nicolinos”, assumiu a presidência da assembleia que procede à eleição das comissões de Festas Nicolinas, “junto do chafariz da tradição”, no Toural.

O Chico tinha uma característica que não é vulgar: fazia pontes entre as várias gerações, entre os mais velhos e os mais novos”, descreve o colega e amigo, sublinhando que esta é uma virtude quando se tem como missão preservar uma tradição secular. E isso comprova-se pelo afeto que os mais novos lhe dedicavam. Para Chico Ribeiro “a causa nicolina estava acima de qualquer coisa”. “Sempre foi um pacificador, um facilitador e esta característica é o que vai ficar na memória das pessoas”, diz José Maia. Mas não deixava de ter “um feitiozinho particular, às vezes explosivo”. E também por isso o Chico “vai deixar muita saudade”.

Era um habitué nas Danças Nicolinas, em que desempenhava a personagem do aio, “assistindo às personagens centrais do D. Afonso e D. Muma”. A fragilidade que o cancro lhe foi provocando fez com que pela primeira vez em muitos anos assistisse àquele número Nicolino da plateia. A organização das festas decidiu não o substituir em palco e não sabe se a personagem terá novo ator. No último Pinheiro foi dar um “olá” aos convivas no jantar dos velhos nicolinos e ainda assistiu à eleição da Comissão, junto à “taça”, no Toural. Era um “lutador e um tipo teimoso”.

A morte de Chico fez sangrar o coração envolto nas eternas capas de estudante: o toque nicolino acompanhou-o na entrada na igreja, acompanhou-o durante o enterro, esteve com ele até ao fim. Miguel Bastos, autor do guião das Danças Nicolinas dos últimos anos, confessou-lhe:

Ó Chico, a tua voz de pregoeiro
Ainda ecoa nas praças da cidade
A tua caixa à frente do Pinheiro
Brindando com fervor à amizade

Paulo César Gonçalves, autor do Pregão, augura-lhe um lugar n’O Céu dos Pregoeiros, ladeado “por o ‘Nicolino Velho’, a lenda: Jerónimo Sampaio” e “a mais pitoresca das figuras: O ‘Nicolino Mor’, Hélder Rocha”.

Este, ao ver a figura que os olha, ‘remata’:
– Ó Xico, anda sentar-te à nossa beira.
E o Xico sentou-se. Na terceira cadeira, a única que estava de vago. Junto dos inesquecíveis pregoeiros”.

Por: Catarina Castro Abreu

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