Como olham os partidos para a marcha anti-racismo que percorreu Guimarães?

© Cristovão Costa

No passado domingo, Guimarães juntou-se ao movimento global #BlackLivesMatter, com uma marcha pacífica a percorrer as principais artérias da cidade. Entre os partidos com assento na Assembleia Municipal, as opiniões são distintas. Se há quem defenda a importância de tomar posições, há quem também considere que “não é assim” que se combate o racismo.

Para Luís Soares, líder do partido com maior representação na Assembleia Municipal, o Partido Socialista (PS), “as manifestações realizadas em todo o mundo, em Portugal e em Guimarães, contribuem para a necessária reflexão que está agora a ser feita nos EUA sobre discriminação racial e que também devemos necessariamente fazer em Portugal”. Luís Soares considera que o racismo “não é um fenómeno de um único país”. “E é por isso mesmo que em todo mundo muitos de nós não conseguiram ficar de fora da vida e da morte de George Floyd”, argumenta. Relativamente à manifestação ocorrida em Guimarães, Luís Soares recorda que “foi uma manifestação pacífica contra um crime racista bárbaro que correu o mundo”. O socialista frisa, no entanto, que Guimarães é um território “tolerante, inclusivo, que integra as minorias e combate as discriminações de todo o tipo, incluindo as discriminações raciais”.

Do PSD, o presidente da concelhia do partido, Bruno Fernandes, considera que “todas as manifestações, desde que ordeiras e com respeito, são legítimas”. O social democrata sublinha que a preocupação dos jovens com estes temas “é sinal de participação e sentido cívico”, porém, defende que não se deve “alimentar algo que não tem, felizmente, expressão em Portugal e em particular no nosso concelho”. “Há comportamentos pontuais completamente condenáveis em vários sentidos e que merecem da justiça uma ação exemplar. Mas acho um erro generalizar, porque de facto a nossa sociedade é suficiente madura para não aceitar e alimentar posições racistas”, acrescenta. Para Bruno Fernandes, os alertas servem “para trazer os temas a terreiro” e para “reforçar a importância da tolerância e da inclusão a todos os níveis”.

Já do lado do CDS, o presidente da concelhia, Rui Correia, defende que a manifestação “serviu para constatar o enorme desrespeito pelas regras de saúde e o discurso de ódio e de morte aos polícias em alguns cartazes”. Aliás, o centrista diz mesmo que “o racismo não é assunto em Guimarães”, onde se convive “bem com todos”. “O crime hediondo cometido nos Estados Unidos é uma ofensa aos direitos humanos, é um ato racista, mas com isto não podemos generalizar e fazer de Portugal ou tentar conotar Portugal como um país racista”, acrescenta. Rui Correia aponta que “não é assim” que se deve combater o racismo. “Desta maneira só incentivamos o ódio, e isso não é saudável para uma sociedade que se quer em harmonia”, acrescenta.

Por sua vez, a Comissão Concelhia de Guimarães do PCP “condena os atos criminosos”, como o assassinato de George Floyd, e expressa “solidariedade para com todos os que resistem e lutam contra o racismo”. “É importante que os vimaranenses e todos os cidadãos tomem posição e façam ouvir a sua indignação pelas desigualdades e injustiças e lutem pelos direitos humanos”, sublinha. O PCP defende ainda que “são muitos entraves que os jovens enfrentam para se organizarem” e, nesse sentido, “fruto da determinação”, “os relatos de resistência e de passos em frente têm sido dados”, elogia.

Do lado do Bloco de Esquerda (BE), a Comissão Coordenadora Concelhia de Guimarães recorda que o movimento #BlackLivesMatter surgiu no mundo digital, mas rapidamente se estendeu para as ruas, “porque as pessoas sentem a necessidade de dizer basta a constantes violações de direitos humanos, não só nos Estados Unidos da América, mas em todo o mundo”.  Relativamente à manifestação em Guimarães, o BE sublinha “a vitalidade e a responsabilidade da juventude no envolvimento em questões concretas das vidas das pessoas”. “Muitas vezes acusados de estarem alheados dos problemas do país e da sociedade, estes jovens revelaram um enorme sentido democrático, além de um sentimento de compaixão pelo outro”, elogia. O bloco desafia ainda autarquia para que esteja na “vanguarda de políticas públicas de combate à discriminação, em particular das comunidades negras, ciganas e migrantes”.

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